quarta-feira, 12 de dezembro de 2007



ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DA BELTRÃO
Fotos e texto:
FABIO&lUIZ

PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES BELTRÃO- CARLOS MOMOCO

Comunidade: Vamos fazer uma experiência nova para a seção. Eu lhe dou o tema e você disserta sobre ele. É só falar a primeira coisa que vier a sua cabeça. Vou improvisar.

Presidente: Ta certo!!!

Comunidade: Água

Presidente: Ninguém aqui quer água de graça. Existe uma taxa mínima de R$ 17,00, como tem no Vital Brasil. Dentro da nossa comunidade 90% tem água e 10% não tem. Como pode??? Já nos informamos que basta Trocar uma peça que a bomba abastece a todo mundo.

Comunidade: Luz

Presidente: Tem apenas 3 pontos que falta luz. Já foi solicitado à 2 anos luz para esses lugares. Afinal, luz é segurança.

Comunidade: Saneamento

Presidente: É péssimo. Inclusive no processo que te falei sobre a questão da água está incluso o saneamento. A ex-presidente que começou a bater de frente, quando houve aquela cobrança dos que nem água recebiam. Ela foi lá e reclamou. Estamos dando continuidade.

Comunidade: Estado

Presidente: Poderia estar dando mais uma moral, não só para a Beltrão, mas como um todo. Para Niterói.

Comunidade: Pavimentação

Presidente: Depende de tudo. Não vemos obra de verdade a mais de quinze anos.

Comunidade: Transporte

Presidente: É bom para quem fica mais para beira da pista. O pessoal lá de cima só tem a Kombi e o moto táxi.

Comunidade: Fechou. Muito obrigado.

GALERA DA BELTRÃO

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Resultado da 1° enquete

QUE NOTA VOCÊ DARIA PARA A ADMINISTRAÇÃO DE NITERÓI?
MENOR QUE ZERO 4 (30%)
ZERO 4 (30%)
ENTRE UM E CINCO 5 (38%)
ENTRE CINCO E DEZ 0 (0%)
MAIOR QUE DEZ 0 (0%)
Votos: 13
Enquete encerrada
COMUNIDADE BELTRÃO

Comunidade pede socorro-2º parte



fotos e textos:fabio da silva barbosa (kabullozi)

luiz henrique peixoto caldas (luffy)





















Vizinha da Alarico de Souza, a Beltrão compartilha com essa comunidade irmã os desgostos de ser esquecida pelo estado, que deveria olhar por elas. Como na anterior, a associação não tem sede. Suas reuniões e eventos ocorrem no depósito de caçambas Camboatá, situado na Travessa Beltrão n° 113, que pertence ao velho amigo da comunidade João Bosco Correia. O Presidente Carlos Henrique de Oliveira tece mil elogios a esse companheiro que já os ajudou diversas vezes, como quando cedeu várias caçambas para retirar entulho na construção do campo de futebol.

Há quatro anos na Presidência, Carlos conta que o desinteresse das autoridades é grande e que com a única bomba que tem não é possível abastecer todo lugar. Moradores nos informaram que em certas localidades não tem água nem para beber.
A companhia, Águas de Niterói, embora tenha comparecido com presteza quase no mesmo momento em que foi chamada não conseguiu resolver o problema da bomba que havia queimado na quarta feira 19/09/07 na hora, deixando não só quem já tem o problema como rotina, mas toda comunidade sem água, já que não possui bomba reserva. O registro não pode ser fechado por estar cheio de lama, detritos e pedras.

Existe um processo no ministério público há 3 anos tratando do problema d’água e sobre cobrança indevida de moradores que vivem nessa área desabastecida. O Presidente usa o raciocínio lógico de que se a pessoa não recebe água, por que ela deveria pagar. Embora esteja certo, tem consciência de que esse tipo de processo demora a dar resultado.
A Rua Otavio Lemgruber, além de sofrer com a eterna falta d’água, ainda nos foi informado que enfrenta outro problema. Já que na localidade tem outra rua com o mesmo nome, as correspondências muitas vezes chegam ao lugar errado. João Bosco nos falou um pouco sobre isso: “Em Rua de bacana isso não acontece. Tem até briga para ver qual nome vai botar. Troca de nome toda hora. Enquanto aqui, além de rua sem nome ainda tem rua com nome repetido."
Saneamento é coisa que não existe. Uma vala de esgoto corta toda comunidade, passando pelas portas de residências e margeando o caminho feito pelos moradores. João Bosco lembrou do tempo em que por ali passava água límpida. Falando em limpeza, a queixa sobre a quantidade insuficiente de garis também se repete aqui, mas com um agravante, eles têm apenas um gari para toda comunidade.
O caminho que vai para Alarico de Souza, muito usado pelas duas comunidades é uma trilha acidentada. A Secretaria de Integração comunitária teria se comprometido com ambas a 8 meses atrás em melhorar as condições de acesso entre elas.

No inicio da rua que foi asfaltado não foi posto quebra molas, o que já ocasionou 2 atropelamentos. Os carros entram em alta velocidade enquanto varias crianças estão passando.
A quadra onde era o Grêmio Recreativo Acadêmicos do Beltrão, mesmo precisando de reparos, tem abrigado alguns eventos, como o pagode que acontece aos sábados e tem como função para a associação poder arrecadar um fundo de reservas que se possa contar em casos de emergência. No ultimo pagode o dinheiro da entrada foi substituído por 1 quilo de alimento não perecível, a serem distribuídos para os mais carentes. Dona Tereza é outra a se beneficiar da velha quadra. Perdeu a casa e tudo que tinha dentro durante uma enxurrada. Dês de então passou a morar por lá.
As pessoas apesar de chateadas com tudo isso, vivem com o máximo de dignidade. Os irmãos Carlos Eduardo e Rafael Carvalho Santos resolveram o problema do desemprego com criatividade. Montaram um lava jato em frente ao campo de futebol no início da travessa Beltrão de onde tiram sua renda. A geral é R$12,00, só por fora R$6,00 e moto também R$ 6,00.
No próximo mês espera-se a chegada de dois projetos, já que até o momento não há atuação de nenhuma Ong na comunidade. Um deles é o Funcab, uma Ong que presta serviços para o Viva Rio. O outro não souberam explicar bem do que se tratava, mas seja o que for, se trouxer o bem, será por eles recebido de muito bom grado.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Comunidade

Texto&Fotos:
Fabio da Silva Barbosa
Luiz Henrique Peixoto Caldas

COMUNIDADE ALARICO DE SOUZA (ZULU)

Comunidade pede socorro-1º parte


Ricardo (Presidente da Associção), Lucio flavio (Professor da escolinha de futebol) Luiz Fernando (Diretor de espotes)

Moradores do Zulu, conhecido oficialmente como Comunidade Alarico de Souza, passam por inúmeras dificuldades, como por exemplo, a falta de atendimento médico. Pessoas em condições de saúde precária têm de enfrentar uma caminhada de aproximadamente 1h na tentativa conseguir atendimento no posto da Comunidade do Vital Brasil. Segundo o Presidente da associação, José Ricardo de Oliveira Montera, já houve casos como o do morador José Carlos que, quase veio a falecer devido a distúrbios na pressão. “ Tem comunidades próximas com dois módulos do Médico de Família. Por que não podemos ter um? ”
Embora exista o gari comunitário, não há um número suficiente de trabalhadores para manter o lugar limpo. Já se pode observar acúmulo de lixo em uma área acima do coqueirinho, formando um pequeno lixão, onde moradores tomaram a iniciativa com enxadas de abrir uma estrada de chão, para a passagem do caminhão pipa. Exatamente ali acaba o asfalto e a luz, desmotivando donos de empresas de ônibus a colocar transporte coletivo no lugar. O presidente nos informou ainda que uma linha de ônibus não traria benefícios apenas aos dez mil moradores de sua comunidade, pois dali se tem caminho para Ititióca e Atalaia.
Mesmo com o serviço de moto táxi e a linha de transporte coletivo Alarico – Dr. Sardinha que em muito os auxilia, os usuários tem dificuldade de chegar em casa após o horário de funcionamento dos transportes já existentes e de ir a outros lugares mais distantes, como o centro da cidade, tendo assim duas despesas, uma para descer e outra para pegar o ônibus na rua principal.
O único projeto em prática atualmente no lugar é o Nil (Núcleo de Integração e Laser), contando com a ajuda de Luiz Fernando Ferreira e Lúcio Flávio Cabral da Silva, ambos moradores e professores da escolinha de futebol que atende a 150 crianças entre meninos e meninas. As aulas acontecem em uma quadra que está correndo risco de desabar. Lúcio Flávio nos contou que uma parte da quadra já caiu na casa de uma moradora. Um mutirão teve de ser organizado para tirar a terra de dentro da casa. O projeto acontece diariamente a partir das 19 hs . Por sinal Mamona ( Lúcio Flávio ) bota pra quebrar com a criançada.

campinho

O campo, onde acontecem várias atividades, como o campeonato, que em 2006 teve o time local, União do Zulu, como vencedor e o futebol dos veteranos, não se encontra em situação melhor. Assim como na quadra, falta estrutura para os eventos. Falta iluminação, alambrado, vestuário, manutenção na tela de segurança, impedindo que a bola role morro abaixo e uma sala para guardar o material esportivo.
Dentro da Alarico existe uma população, conhecida como Comunidade da Santa, em que a água ainda não chegou. Crianças de 5 anos em diante são vistas pegando água no poço para abastecer suas casas. Alguns tem de caminhar até duzentos metros carregando as latas d’água. O Presidente afirma que a companhia Águas de Niterói já esteve no lugar fazendo vistoria e tirando metragem do terreno. Pelo que lhe foi passado o projeto está pronto há muito tempo, mas até agora nada foi feito para reverter essa situação.

Poço (ao lado do campo)

Não ter sede é outro problema que a Associação tem de driblar. Luiz Fernando contou com tristeza que teve de abrir mão de 300 livros que lhes seriam doados por não ter onde guarda-los. As reuniões e encontros são feitos na creche.
A creche atende crianças de 2 a 6 anos e funciona de 8h às 17h, com direito a café da manhã, almoço, lanche e jantar. Uma das poucas conquistas da comunidade, permite que os alunos saiam prontos para alfabetização.
Em meio a tanta carência o presidente se permite sonhar com o dia em que fará um segundo andar, construindo um berçário para atender as mães que precisam trabalhar e não tem onde deixar seus filhos com menos de dois anos. Um Tele Centro é outro objetivo que ele gostaria de concretizar.

creche

Aproveitando a oportunidade José Ricardo agradece a Comte Bittencourt por ter sido um dos únicos a colaborar com a comunidade em todos esses anos de luta.

Personalidade: Ademir Rosa

Ademir de casaco verde e muletas
Ademir Rosa é uma daquelas figuras raras, personagem querido por todos. Fundador do time SOS Futebol Clube, que cresceu até se transformar no time que hoje carrega o nome do lugar. Foi responsável pela organização de festas na comunidade e junto com sua amiga desenhista Luana de 20 anos, decorou o muro vizinho do campinho para os jogos Pan-americanos que ocorreu no Rio de Janeiro este ano.
Há seis meses esperando na fila do SUS pela operação do fêmur, que mesmo fraturado, o carrega pelos caminhos da comunidade que conhece tão bem, Ademir recorda quando fundou o SOS Bloco Carnavalesco e quando ajudou a fundar o ponto de encontro onde hoje é a pracinha.
Músico nato, já tocou em diversos conjuntos e conheceu personalidades como Biafra e Paulinho do Kid Abelha. Lembrou com saudade do grupo Brilho do Sol e Colégio Brasil (atuou em ambos).
Ademir ainda tem instrumentos guardados em casa e faz projetos para o futuro. Tocar muita MPB e assistir ao dia em que o lugar que o viu nascer receba alguma atenção das autoridades competentes. Assim que conseguir se operar.

domingo, 9 de dezembro de 2007


S.O.S. Comunidades

Alaríco de Souza ( Zulu ) e Beltrão são geograficamente próximas e possuem problemas muito parecidos. A falta de projetos sociais e manutenção estão em evidência. Ambas não possuem ao menos uma sede para a Associação dos Moradores. A equipe Comunidade foi conferir de perto.
A matéria saiu no jornal UNITERÓI e será publicada durante a semana no blog, com fótos extras.
ATENÇÃO: Gostaríamos de convidar todas as comunidades e tele centros a conhecer nossa comunidade no Orkut e nosso pro file. Estamos também contando com um e-mail próprio: comunidadeeditoria@yahoo.com.br. Faça parte. De sua opinião. Você é a estrela maior do nosso projeto. Esse espaço é seu.

AGRADECIMENTOS: A todas as comunidades por nos receberem com tanto carinho e dispensarem seu tempo para enriquecer nosso trabalho. Sem o apoio de vocês nada disso seria possível.

DESCULPAS: A comunidade do cavalão pela legenda das fotos do jornal uniterói n°2, pois as aulas de balé e o tele centro são desafios vencidos, estão indo muito bem, como dissemos na reportagem. O desafio real que se tem pela frente, além do ambiental, podemos destacar o fortalecimento de uma maior unidade dentro da comunidade, dando acesso a todos a que só alguns tem. O maior exemplo que tivemos disso foi quando o vice-presidente denunciou que onde ficava a Associação era o cartão postal e que tinham lugares na comunidade onde os moradores estavam em situação precária. Continuem lutando. Isso vai mudar. Podem contar sempre com nossa ajuda. Espero que tenham visto e gostado da versão (a original) da matéria de vocês que publicamos no blog
Pedimos desculpas também as comunidades da Beltrão e da Alarico por não termos podido honrar com todos os nossos encontros marcados, mas podemos garantir que isso não costuma ocorrer em nosso processo de trabalho e que nos organizaremos melhor.