quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Resultado da enquete

QUAL A PRINCIPAL CAUSA DA DESIGUALDADE SOCIAL?

A corrupção cada vez mais frequente.
3 votos - 42%

Ela é necessária para o funcionamento do sistema em que vivemos, então o mesmo cuida para que ela sempre exista.
2 votos - 28%

As diferenças naturais entre cada ser humano determina sua capacidade de subir na escala social.
0 votos - 0%

A indiferença dos que fazem parte da elite por acreditar que não tem nada com isso.
1 voto - 14%

O comodismo das massas.
1 voto - 14%
Edith e os Girassóis

TEXTO E FOTOS: FABIO DA SILVA BARBOSA

LUIZ HENRIQUE CALDAS PEIXOTO

DONA EDITH E AS CRIANÇAS NO SEU TRABALHO ATUAL

Edith Thompson Homem de Mello sem duvida é uma daquelas pessoas que tem coisas para contar. Foi a primeira presidente da Federação das Associações de moradores de Niterói – Bairros e Favelas e virou o principal personagem do livro chamado “O Silencio de Girassóis” de Bruno Cattoni, lançado esse ano.
Nascida no Espírito Santo ficou viúva há 32 anos. Já com os filhos crescidos veio para Niterói, morar no Viçoso Jardim. Não sabendo da existência do aterro sanitário que havia no lugar naquela época, se mudou para uma bela casa da localidade. Depois ao fazer a descoberta ficou descontente, até ter a visão que iria mudar sua vida. Crianças disputando um pedaço de carne com urubus. Todas as viagens que tinha feito na época em que trabalhou com turismo, nunca lhe proporcionaram isso.
Ela se juntou aos moradores do Viçoso que eram favoráveis a retirada do lixão, começando um trabalho de conscientização da comunidade. Se identificou com a luta. “Fazíamos panfletagens e reuniões o tempo todo e ninguém se cansava. O que nos dava força era ver aquilo. Aquelas mulheres magras garimpando comida.” A campanha ganhou força e marcaram hora para a entrada do ultimo caminhão de lixo no lugar.
A questão ecológica já começava a ganhar força e se falou em uma usina de tratamento ultra moderna que seria instalada em São Gonçalo. Mas quando ela percebeu, haviam comprado um terreno no Morro do Céu e trazido o lixão para lá. Houve verdadeiras batalhas impedindo a simples transferência do problema de endereço. Por fim foram vencidos. Alguns moradores permitiram a entrada do lixo em troca de melhorias no lugar.
Algum tempo depois do Lixão acomodado em sua nova “casa” Edith foi convidada pelo engenheiro, ex-vice-prefeito de Niterói, fundador e ex-presidente da CLIN, ex-secretário municipal e ex-vereador Luiz Eduardo Travassos do Carmo a ser mãe crecheira no Morro do Céu, pois havia muitas crianças em situação precária no lugar e ela propôs

A HORTA QUE DONA

EDITH USA DE FORMA

TERAPEUTICA COM AS CRIANÇAS

a construção de uma creche. Após muitas visitas ao aterro Travassos montou a creche. Arranjaram uma casa com um preço simbólico e iniciaram a reforma.
O passo seguinte foi convencer aos pais a deixarem seus filhos freqüentar a creche. Muitos agiram com desconfiança. A primeira mãe que aderiu ao projeto tinha 14 anos. O neném, com menos de 1 ano não tinha pestanas, pois as moscas já tinham comido. O cantinho da boca também estava roído, pois elas comiam os resíduos de leite que juntavam ali. O primeiro berçário foi feito inspirado nessa criança.
Depois começaram a chegar às outras crianças. Alguns bebês se apresentavam vestindo uma perna de calça jeans como fralda. Logo eram 70 crianças. A casa ficou pequena e tiveram de se mudar para uma segunda creche. Nesta o berçário ficou enorme e começaram a trabalhar também como lar alternativo, onde as crianças passavam todo o dia e tinham todos os cuidados que os pais não podiam dar. Era o único trabalho social desenvolvido para os catadores na época. O projeto já se chamava “Lar Alternativo e Creche Girassóis”. Como era posse e não se pagava nada, foram despejados e a casa demolida.
Nisso chegou uma verba de Brasília de R$ 200.000,00 e se iniciou o programa “Criança na Creche” do ex-prefeito João Sampaio. Fizeram parceria com a Secretaria de Educação que mantinha 35 funcionários e dava merenda. Eram atendidas 217 crianças no novo prédio. Edith muito satisfeita com a situação teve a surpresa da municipalização em janeiro de 2007. Mesmo sendo peça fundamental na construção de tudo aquilo, sabia que seria bom para as crianças e aceitou o pedido para se retirar sem criar maiores problemas, deixando sua creche para o município que mudou seu nome para Unidade Municipal de Educação Infantil (UMEI).
Pensou em criar uma casa para idosos, mas acabou por continuar o trabalho com crianças. Hoje seu projeto de vida se dividiu, atendendo pelos nomes de “Associação Filantrópica Bem Me Quer” e “Lar Alternativo Os Girassóis”, que funcionam na mesma casa. Um serviço de telemarket ajuda a receberem doações, com as quais mantém o trabalho, pagam o aluguel e funcionários. Não recebem nenhum tipo de verba do estado.

NA HORA DO ALMOÇO AS CRIANÇAS COMEM OS LEGUMES E VERDURAS QUE AJUDARAM A CULTIVAR

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

COMUNIDADE

Por: Fabio da Silva Barbosa
Luiz Henrique Peixoto Caldas

Lixão divide Morro do Céu

Moradores do Morro do Céu, no bairro do Caramujo em Niterói, estão em constante conflito devido ao aterro sanitário existente no lugar. Uma parte, representada pelos moradores da Rua A, são contra. Seus argumentos se apoiam nos problemas de saúde provocados pelo aterro, proliferação de insetos, ratos e a ameaça de que com o aumento do Lixão a citada rua desapareça como aconteceu com a Rua Santa Edvige. Os favoráveis são representados pelos catadores. Eles garimpam dia e noite sua sobrevivência sobre as enormes pilhas de lixo que não param de crescer. Não tendo outra oportunidade de trabalho, o lixão se torna uma segurança financeira, já que conseguem uma média de trezentos reais semanais com a coleta feita no lixo.
Pessoas e máquinas trabalham sobre a enorme montanha de lixo

O catador Cláudio Abreu da Silva trabalha a 15 anos no lixão e alega existir certo preconceito por parte dos empregadores. Tanto ele quanto Marta Rodrigues concordaram que normalmente perdem a vaga quando se descobre que são moradores do Morro do Céu. Margarida, outra moradora da comunidade que vive da coleta, já arranjou emprego fora, mas foi mandada embora em um corte de funcionários e teve de voltar.

Podemos observar ruas por onde os carros e caminhões da Clin trafegam.

O Presidente da Associação de Moradores do Morro do Céu Dejair Gomes de Souza ficou dividido assim que assumiu o cargo em Março de 2005, mas logo chegou o momento de tomar partido da situação. “Fiquei muito tempo na neutralidade, pois os dois lados tinham argumentos válidos. Mas tive de reconhecer que muitos precisam do aterro para viver. Estamos falando de desemprego em massa. De tirar o sustento de varias famílias”.
O Presidente da associação de moradores Dejair Gomes de Souza

Desde 1983 o lixo de Niterói é enviado para lá, onde é espalhado, compactado e coberto por uma camada de saibro. A poeira que emana do lugar entra nas casas próximas provocando doenças respiratórias nos moradores. A catadora Maria Lucia sofre de bronquite, que se agrava a cada dia devido ao contato com a poeira. Cerca de 470 toneladas de detritos são lançadas no aterro por dia. Ambientalistas propõem a criação de um Ecopolo de reciclagem e energia que produzirá energia limpa (biogás) e adubo orgânico além de construir Ecofábricas com matérias primas oriundas do lixo, incentivando a implantação da coleta seletiva e de programas de reciclagem com participação direta de cooperativas de catadores de materiais recicláveis. Até agora nada foi resolvido.
A usina existente trabalha com uma cooperativa que não agrada aos catadores e não consegue dar conta de todas as situações gerados pelo lixão, como o problema do chorume.

Os catadores apoiam a ideia da cooperativa. Ricardo da Silva, diz que gostaria de ter seus direitos trabalhistas assegurado por uma cooperativa que fornecesse um crachá de identificação, luvas e mascaras, além de um salário ao menos compatível com o que ganham coletando individualmente.

Os catadores


Os trabalhadores vêem seu serviço como um trabalho além de honesto, ecologicamente correto. Edna Gomes da Silva explicou que pilhas e baterias que não podem ser aterradas são encaminhadas por eles para a reciclagem. Outro fator importante nos foi exposto por Sérgio Luiz Bull, o reaproveitamento. ”Tem cada coisa que cai aqui dentro... Só vendo. Quase tudo agente aproveita. É boné, camisa, sapato... Outro dia veio um caminhão de batata carregado”.
Jurema de Jesus assegurou que além dos desempregados, muitos aposentados têm de encarar a vida de catador para complementar a renda. Ela mesma com osteosporose e problemas neurológicos tem de trabalhar duro no Lixão para se sustentar. Ainda conseguindo ajudar a filha e o neto que moram em Itaboraí. “Enquanto tem muita gente dormindo nós estamos aqui trabalhando. É melhor do que roubar ou se prostituir. Fui morar um tempo em Itaboraí tentando arrumar emprego e até fome passei”.

Os caminhões despejam lixo 24 Hs por dia no lugar


Outros problemas

Além dos problemas apresentados pelo Lixão e o conflito entre moradores que tentam definir seu destino, outras mazelas afligem o Morro do céu. Embora a prefeitura mande alimentos, a verba que auxiliava a associação de moradores foi suspensa. Uma parte da comunidade está sem água por falta de bomba e em alguns pontos a pavimentação deixa a desejar.
O controle de zoonozes fica na Rua Gustavo Moreira, dentro da comunidade, mesmo assim o número de cães soltos pelas ruas é espantoso, muitos bravos ou doentes.
A comunidade só tem condução até 23:00 Hs. Depois desse horário o ônibus 26 – Morro do Céu para e o único jeito de sair ou entrar no lugar é pedindo carona aos caminhões de lixo, que circulam 24:00 Hs pela redondeza despejando lixo no aterro. Até ao hospital vários moradores já tiveram de ir através de carona nos caminhões.

Uma comunidade está sendo erguida sobre o lixão. Observe as moradias.

Faltam ainda área de lazer e aulas de informática. Chegaram vários computadores no projeto Chico Mendes, mas não se sabe por que ou por quem foram todos recolhidos.
O Gari Comunitário conta hoje com apenas um trabalhador para manter toda região limpa.
O tesoureiro Marielson, nos apresentou a Rua Íris de Meneses. Uma rua residencial que contorna o lixão e que está entre os lugares mais carentes. Disse-nos que a rua está precisando de uma atenção especial, pois muitos pedidos já foram feitos direcionados a ela e até agora não houve resposta.
ENDEREÇO DA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO MORRO DO CÉU:
Almezina Barbosa – 256
Morro do Céu
Caramujo













Tesoureiro Marielson com os catadores
O nosso amigo Francisco Bragança, jornalista e cineastra, nos enviou esse pedido de apoio da comunidade acadêmica que está lutando, como sempre, para um mínimo de condições para passar seu conhecimento adiante.
Reproduzimos a carta aqui para divulgar aos nossos leitores essa importante mobilização que está acontecendo.
----- Original Message -----
From: Antonio Paiva Filho
To: Lista CINEMABRASIL

: Perigo para a área de artes!

Para a informação de todos.

From: Ananda machado < machado.ananda@gmail.com>> Date: 11/12/2007 15:22 >

O Prof. Belidson Bezerra da Universidade de Brasília nos alertou sobre um processo que tramita no CNPq para a retirada da área> de ARTE-EDUCAÇAO como área de conhecimento dentro da tabela do CNPq. Como voces sabem o CNPq financia uma serie de projetos e bolsas dentro das areas de conhecimento reconhecidas pelo orgão.
Se acontecer a retirada de ARTE-EDUCAÇãO como ÁREA de conhecimento não teríamos o apoio do CNPq pra projetos tipo PIBIC em arte educação, nem mestrado , nem doutorado, etc.!!!! Ele diz que seria importante encaminhar todo e qualquer movimento pro-ativo para que a área acorde para o monstro que pode ser isso .
Diante disso, e tendo eu mesma ja assinado a lista, repasso a voces o link da petiçao em prol da PERMANENCIA da area de ARTE EDUCAÇAO como area de conhecimento no CNPq para que voces leiam e se concordarem assinem e repassem . Consideramos uma açao de grande importância para nós, arte-educadores.

O link da petiçao é

http://www.petitiononline.com/artecnpq/petition.html

http://www.petitiononline.com/artecnpq/petition.html

onde há uma carta da Profa. Ana Mae Barbosa pedindo ao diretor do CNPq, Professor Dr. Marco Antônio Zago que reveja o posicionamento da instituição pois, desta forma, perdemos o reconhecimento de área e, por consequência, muitas das conquistas dos últimos 20 anos! Ao final da carta, no centro da pagina, ha uma barra para acessar o abaixo assinado. Ao clicar a barra aparecera o formulario. Preencham os dados solicitados. Na parte comentario basta colocar concordo com a petiçao (como no modelo). Apesar da solicitaçao de endereço nao ser obrigatoria pedimos que escrevam pelo menos o nome da cidade e o estado para darmos visibilidade da abrangencia da petiçao. E na RG coloque o estado que emitiu a carteira de identidade
Abraços,
Ananda

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

QUER ENCONTRAR O JORNAL IMPRESSO UNITERÓI, ABRIR NA PÁGINA 4 E LER SOBRE SUA COMUNIDADE? É SÓ IR ATÉ UMA DESSAS BANCAS EM NITERÓI:
BANCA DO CARLINHOS - Rua Guilherme Brigs- São Domingos
BANCA DO MARCOS - Rua Joaquim Távora - 1º quarteirão da praia
BANCA DO MARCOS - Rua Otávio Carneiro - 1º quarteirão da praia
BANCA DO LUIZ - Rua Mariz e Barros - Em frente a Bibi Sucos
BANCA DO GILSON - Rua Moreira César - Entre a Oswaldo Cruz e Belizário Augusto
BANCA DO FLÁVIO - Av. Rio Branco / Rua da Conceição Em frente a Loteria
BANCA DO RAFAEL - Av. Rio Branco - Em frente a Drogaria Popular Banca - Av. Rio Branco - Ao lado do UNIPLI
BANCA DR.SARDINHA - Na rua Dr. Sardinha em Santa Rosa, em frente a loja Ponto da Construção.

INCÊNDIO

DURANTE A MATÉRIA FEITA PARA O IMPRESSO, PUDEMOS OBSERVAR EM VÁRIAS LOCALIDADES DA ENCOSTA DO MORRO DO CAVALÃO O MATO ALTO E O ABANDONO
BOMBEIROS TRABALHANDO DURANTE O INEVITÁVEL INCÊNDIO NA ENCOSTA DO CAVALÃO
DEPOIS DO FOGO ESTAR CONTROLADO, FICOU AS MARCAS DO QUE PODERIA TER SIDO EVITADO.
LEIA ABAIXO A MATÉRIA RECHEADA DE FOTOS





Texto-Fotos:
Fabio da Silva Barbosa

Luiz Henrique Peixoto Caldas


A encosta do Morro do Cavalão em cima da entrada do túnel em direção São Francisco - Roberto Silveira, pegou fogo no mato que já estava alto, na quarta feira 26/08. Os bombeiros foram acionados as 10:30, chegando no local as 10:40. As 10:50 o fogo já estava quase apagado e as 11:00 a missão estava cumprida com eficiência e rapidez.


Esse incêndio ocorreu após fazermos a matéria na comunidade e termos alertado sobre o problema do acúmulo de lixo e mato alto em toda sua encosta. Esse não foi um acidente isolado e pode se repetir a qualquer momento, já que o mato continua a crescer na redondeza. Dessa vez não houve vítimas. Será que na próxima a população local terá a mesma sorte?