quarta-feira, 21 de maio de 2008

É HOJE


SHOW EM APOIO A CAMPANHA DO LIVRO NA UNIPLI, UNIDADE CENTRO, NITERÓI. A PARTIR DAS 18:00 HS. VAI SER IMPERDÍVEL. PARTICIPAÇÃO DO CIGANO DO FORRÓ E DO MINISTRO DO BAIÃO ZÉ DE MOHURA. MAIORES INFORMAÇÕES PELOS TELEFONES DO CARTAZ.

A EVOLUÇÃO DA ESCRAVIDÃO

POR: ALEXANDRE MENDES


Analisando o regime escravista em épocas e lugares diferentes,chegaremos a conclusão de que não há um modelo universal para a aplicação deste.Na Grécia Homérica,enquanto alguns escravos não eram dignos da menor confiança,outros possuiam terras doadas pelo seus donos,constituiam família e até adquiriam seus próprios escravos.Ser escravo na Grécia,ainda era melhor do que não participar de nenhuma família(Oikos),ser livre sem uma família(teta)era a pior posição social.

Em roma,os escravos ocupavam diversos cargos dentro das famílias:os rurais viviam em piores condições, havia os especializados em alguma função: (vinhateiros, porqueiros,etc),o Vilicus obtinha a melhor posição:administrava a terra e os demais escravos de seu senhor. No Brasil colônia,o escravo trabalhava nas plantações de forma sub-humana,uma tentativa de fuga era seguida de diversas chibatadas no tronco,ou até a mutilação como castigo.

Atualmente,o regime escravocrata é considerado extinto.Porém reflita:

*Você é livre para ir onde quiser amanhã?

*O que acontece se você ficar desempregado?

*Você já engoliu algum sapo do seu patrão, para não perder o emprego?

*O que acontece com você se não pagar todas as suas dívidas e impostos?

*E se você agredir verbalmente uma autoridade?

*E se ela te agredir verbalmente?

*O que acontece se você parar de votar?

Essas e outras questões nos mostram como estamos presos a uma teia social* ,na qual um conjunto de leis,regras e costumes impostos pelo Estado e Elite, nos prende ao regime capitalista de forma covarde. Portanto a escravidão não acabou, ela apenas foi adaptada para o modo de podução capitalista atual.

*Max weber



RESPOSTA ao comentário de Ricardo das Candogas relativo ao meu primeiro texto no blog ("Desmascarando"):

Ricardao das Candongas disse...
Após esta explanação satisfatória, traçando uma perspectiva do cenário do trabalho mundial, qual a possível solução a longo prazo ? Possívelmente a curto prazo, não há com certeza uma solução possível...Como redefinir os paradigmas da sociedade capitalista mundial atual _sem que para isso, seja necessário pegar em armas_ para que haja realmente uma mudança no padrão de vida e de escolhas das pessoas e famílias no mundo ?hein hein hein !?!?!?

Meu caro Ricardo das candongas:

O sistema capitalista,além de utilizar a mídia contra o povo,ele também tem o poder de mutar e se adaptar com o tempo e espaço compreendido.Max weber com sua sociologia compreensiva,desanimou completamente com a facilidade de adaptação e continuísmo de que tal sistema teve após a 1ª Guerra.Já karl Marx, em seu "Manifesto do Partido Comunista" nos diz: A burguesia não pode existir sem a condição de revolucionar incessantemente os instrumentos de produ ção,portanto,as relações de produção e,com isso,todas as relações sociais.

-Após o Golpe de 64,uma parcela da juventude intelectualizada ,inspirada na Revolução Cubana e etc, buscou derrubar o poder através das armas. O governo (através da mídia) reagiu,colocando-os como terroristas. Consequentemente o Movimento Revolucionário ficou isolado, não tendo a participação direta do povo. Sendo assim, devemos levar em consideração a conscientização do povo.Nossa contribuição é a divulgação das idéias e críticas, buscando um espaço cada vez mais ostensivo, alcançando as massas com uma escrita simples, sem expressões complexas. Como o próprio amigo comentou, Não há solução a curto prazo, e a longo prazo será o fruto dessa integração entre povo e conscientização.

SOS FAZENDO MEDIA

RECEBEMOS UM TRISTE E-MAIL DOS COMPANHEIROS DO FAZENDO MEDIA. RESOLVEMOS DIVULGA-LO AQUI, BUSCANDO APOIO DAS PESSOAS QUE REALMENTE ACREDITAM EM UM MUNDO E EM UMA MÍDIA MELHOR. SOMENTE NOS APOIANDO MUTUAMENTE CONSEGUIREMOS ERGUER UMA MÍDIA DE QUALIDADE E LIVRE. POR ISSO CONVIDAMOS A TODA IMPRENSA ALTERNATIVA A DIVULGAR ESSA PERDA QUE ESTÁ NA IMINENCIA DE TERMOS NO NOSSO FRONT, NA LUTA CONTRA A MÍDIA BURGUESA, QUE DEFORMA MAIS QUE INFORMA.
FABIO DA SILVA BARBOSA & LUIZ HENRIQUE PEIXOTO CALDAS (FSB&LHPC)

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Amigos, boa noite.

Escrevo a essa hora da madrugada pois geralmente é quando consigo tempo para me dedicar a esta atividade de crítica de mídia. Escrevo e não reclamo, pois cada hora de sono roubada é muito bem recompensada quando percebo que tenho conseguido passar a mensagem que quero passar. Mas o propósito deste comentário é outro. O fato é que em março deste ano alugamos uma salinha no centro do Rio, em parceria com a revista Consciência.Net. O endereço, para quem quiser nos visitar, é: Rua do Ouvidor 50, 5o andar. É quase esquina com a Av. Primeiro de Março. A conquista desse espaço é uma vitória para o Fazendo Media, que conseguiu alugar sua primeira sede após cinco anos de trabalho. Entretanto, corremos sério risco de perdê-la. Em nossa última reunião mensal, realizada sexta-feira passada, dia 16 de maio, chegamos à conclusão de que nosso "caixinha" seria suficiente apenas para o pagamento de mais dois meses de aluguel. A receita projetada com a venda de assinaturas não se confirmou e, como não temos anúncio (a não ser os do Google, que até hoje não conseguimos sacar), a triste solução será entregar as chaves. Entretanto, como este fazendomedia.com possui 2 mil visitantes únicos por dia e circula por um número incalculável de pessoas via correio eletrônico, antes de desistir da sala vou fazer um apelo a cada um de vocês que me lê: faça uma assinatura do Fazendo Media impresso ou uma doação de qualquer valor.

Sua contribuição pode ser decisiva para a continuidade do nosso trabalho, cujo objetivo final é a democratização dos meios de comunicação no Brasil.

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Entregamos em todo o Brasil.

Um grande abraço,
Marcelo Salles

Resultado da enquete

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Enquete encerrada com 21 votos

É HOJE


SHOW EM APOIO A CAMPANHA DO LIVRO NA UNIPLI, UNIDADE CENTRO, NITERÓI. A PARTIR DAS 18:00 HS. VAI SER IMPERDÍVEL. PARTICIPAÇÃO DO CIGANO DO FORRÓ E DO MINISTRO DO BAIÃO ZÉ DE MOHURA. MAIORES INFORMAÇÕES PELOS TELEFONES DO CARTAZ.

terça-feira, 20 de maio de 2008

NOSSOS COLABORADORES ESTÃO PRODUZINDO EM RITMO FRENÉTICO.

É isso aí rapaziada. Vamos quebrar tudo! Contamos com vocês.
DESMASCARANDO II
POR: ALEXANDRE MENDES

Às vezes você deve se perguntar por que a imagem de Jesus Cristo,nos livros e pinturas,é de um homem caucasiano,ou então quando vê um negro em destaque na sociedade,toma até um susto ou se impressiona. Mas afinal,de onde vem esse pensamento racista profundamente arraigado em nossa consciência? Na verdade,esse racismo vem dos ideais do colonizador europeu, que era cristianizar e organizar socialmente os povos colonizados, fazendo com que aceitassem(de forma pacífica ou não) a exploração de sua terra e trabalho. A consolidação do racismo etnocêntrico europeu, foi forjada na necessidade de se escrever "uma história para a nação", após a independência do Brasil, visando posteriormente o ensino desta nas escolas com o objetivo de conformar e delinear papéis na sociedade.
Atualmente,o que vemos no ensino é o desenvolvimento de tal técnica. As escolas públicas são fracas,porém há um fortalecimento no ensino profissionalizante, de baixo custo ou até gratuito. Isto é, "eles" querem que o pobre (a maioria negra ou mestiça) seja no máximo o "técnico",mas raramente o "doutor". Em contrapartida,as escolas particulares buscam preparar os alunos (a maioria branca) de forma que alcancem com facilidade o emprego, ou lugar de destaque na hierarquia social (que é visto como seu por direito).
A democratização do ensino é lenta. Só a implementação da história da África e do índio nos programas escolares ainda é pouco. O que faz falta são escolas de cunho anarquista e independente, como as Escolas modernas, inspiradas em Ferrer y guardia, do início do século. Infelizmente, podemos afirmar que o ensino democrático ainda é uma utopia...


A opressão à mulher

Por: Winter Bastos

Hoje em algumas organizações que se dizem de cunho revolucionário, questões relativas à emancipação feminina são tidas como secundárias. Primeiro seria preciso resolver assuntos ditos mais urgentes, relacionados sobretudo à esfera econômica. Tal visão é tributária do marxismo, que reconhece todas as demais relações de poder na sociedade como mero reflexo da estrutura econômica. Daí se conclui que, uma vez alcançada a coletivização absoluta dos bens, com o aniquilamento da propriedade privada, as demais questões que afligem o povo – machismo, racismo, homofobia (discriminação a homossexuais) – se resolveriam como que magicamente.

Na verdade, tal posicionamento esconde um mal disfarçado menosprezo por temas que não atingem diretamente àqueles que ditam os tais assuntos prioritários na agenda revolucionária. Ora, é obvio que não continuariam se engajando em lutas tidas como importantes, negligenciando questões "pequenas", se estas os ferissem continuamente. É fácil considerar secundário o preconceito contra alguém que não sou eu.

As mulheres, no entanto, insistem em levantar tais questões "secundárias", afinal é nas costas delas que o açoite do machismo se abate; pouco lhes importa que os demais açoites devam cessar primeiro, segundo dita a ortodoxia "revolucionária".

Não raro, as mulheres acabam sendo tachadas de pequeno-burguesas por sua insistência em tratar de "pequenas" questões cotidianas. Chamar uma mulher de burguesa por ela se preocupar com a divisão do trabalho doméstico, ou liberdade para namorar sem a repressão paterna, é pura opressão machista travestida de radicalismo revolucionário. Tal comportamento é compreensível nas fileiras marxistas, já que nelas a revolução é concebida por etapas: primeiro o mais importante, depois o secundário. Assim o marxismo entende que primeiro deve haver a ditadura do proletariado que garantiria o essencial a todos: moradia, alimentação, saúde, educação. Depois o Estado iria – paulatinamente – incorporando os indivíduos aos aparelhos estatais, concedendo mais e mais poder decisório a um número crescente de pessoas. Assim um dia todos se tornariam parte do governo e desta forma deixariam de existir governantes e governados: todos seriam líderes e ninguém seria súdito. Dentro desta lógica – que aliás nunca se verificou na prática –, a mulher também deixaria de ser súdita.

Isso é bem diferente no Anarquismo (se você não conhece esse movimento político, informe-se em http://www.farj.org/). No meio anarquista – eu dizia -, é entendido que não pode haver etapas na revolução. Ela é algo para já. Em um conhecido aforismo, o escritor checo Franz Kafka (1883-1924) escrevera: "Há um local de destino mas não há caminho que nos leve até ele. O que chamamos de caminho é apenas indecisão". Não existem questões prioritárias e secundárias, há problemas que parecem mais ou menos importantes a umas ou a outras pessoas. Todos devem ser considerados e levados a termo.

Não basta, porém, a abolição formal da dominação masculina. Num ambiente militar, por exemplo, onde as relações de poder oficialmente se baseiam em patentes hierárquicas bem definidas, o machismo as transgride impunemente a despeito dos regulamentos formais. Vê-se, em festividades de ambientes militares, tenentes médicas se apressarem a cobrir e pôr quitutes sobre as mesas, enquanto sargentos e cabos conversam despreocupados, com a maior naturalidade, aguardando ociosos o início do evento.

De modo análogo, numa comunidade pretensamente livre cujos estatutos estabelecessem formalmente a abolição de hierarquias, o machismo poderia perdurar em relações cotidianas.

Hoje, mesmo no seio da repressora sociedade capitalista, temos que lançar a semente libertária que consiste na busca em vivermos da maneira mais anárquica possível desde já.

A opressão da mulher é enorme e ao mesmo tempo quase invisível. Ela consiste em uma série de maneiras de agir e pensar profundamente enraizadas em nossos corações e mentes. As questões de gênero parecem obvias, naturais, dadas. É como se sempre o homem e a mulher houvessem tido exatamente o mesmo papel que têm hoje. No livro A Dominação Masculina (Rio de Janeiro: Ed. Bertrand Brasil, 1999), Pierre Bourdieu atenta para o fato de que a divisão de gêneros, e de papéis entre eles, parece ser algo fora da história, algo inerente à ordem do mundo, imutável e universal. Lê-se na página 17:

"A divisão entre os sexos parece estar 'na ordem das coisas', como se diz por vezes para falar do que é normal, natural, a ponto de ser inevitável: ela está presente, ao mesmo tempo, em estado objetivado nas coisas (...), em todo o mundo social e, em estado incorporado, nos corpos e nos habitus dos agentes, funcionando como sistemas de esquemas de percepção, de pensamento e de ação."

Porém Bourdieu constata que os papéis que homens e mulheres adquirem, dentro de sociedades, não são uniformes, nem imutáveis, mas apenas visam a aparecer dessa forma, se naturalizar, como se fossem universais e existentes desde sempre: "aquilo que na história aparece como eterno não é mais que o produto de um trabalho de eternização que compete a instituições interligadas tais como a família, a igreja, a escola e também, em uma outra ordem, o esporte e o jornalismo..." (p.6).

A construção da masculinidade moderna estava fortemente ligada a nova sociedade burguesa que se consolidava no fim do século XVIII. Foi aí que os principais estereótipos da masculinidade como conhecemos hoje realmente surgiram.

Os modelos de masculino variam de lugar para lugar e de grupo para grupo, porém pode-se dizer que eles comumente estão ligados ao patriotismo, ao civismo, à honradez. O estereótipo da masculinidade moderna – sobretudo européia e norte-americana – engloba ousadia, autocontrole, coragem, bom-senso e ponderação.

Dentro deste prisma, enquanto a mulher é tachada de consumista, desequilibrada, irresponsável, impulsiva, guiada por instintos, o homem seria caracterizado como econômico, prudente, trabalhador, provedor do lar.

Ao sexo masculino seria reservada a vida pública, enquanto a mulher estaria naturalmente destinada à esfera privada: lar, filhos, família.

Em princípio não há que se condenar um casal em que a mulher tenha optado por cuidar dos afazeres domésticos enquanto o homem trabalha na rua. Porém considerar que tal estrutura é natural e obrigatória é algo profundamente pernicioso. Este tipo de estruturação da vida familiar foi tão naturalizado e introjetado nas pessoas que hoje é exigido também da mulher que trabalha fora que cuide sozinha da casa e dos filhos – tarefas "naturalmente" femininas. Quando essa dupla jornada de trabalho se torna demasiado extenuante, as famílias que não obrigam a mulher a abandonar seu emprego externo, para se dedicar ao seu "papel natural" no lar, optam por contratar uma empregada (notem: uma empregada, não um empregado). Assim o marido "progressista" de classe média julga resolver o problema da dupla jornada da esposa livrando-a do serviço doméstico. Mas nos cabe indagar: e a empregada doméstica? Ela trabalhará fora o dia inteiro, depois terá que cuidar sozinha da própria casa, afinal isto é trabalho de mulher, ou não?

Pois bem, não é atividade de mulher nem de homem. Não há nada na natureza ou no cosmos que determine qual deve ser o trabalho ou a conduta masculina ou feminina. Todas as formulações que buscam fundamentar uma moral para o homem e outra para a mulher não passam de construções teóricas que tentam naturalizar e eternizar um modelo conveniente às estruturas sociais dominantes.

Diz-se, por exemplo – sobretudo no contexto latino-americano –, que o homem seria naturalmente propenso ao adultério e que reprimi-lo por essa prática seria uma agressão à sua masculinidade. Em contrapartida a mulher seria monogâmica por natureza e aquelas que transgredissem esta regra o estariam fazendo por falha de caráter. Chega-se a formular justificativas biológicas para isso. Os homens, por serem dotados de milhões de espermatozóides, seriam propensos a distribuí-los a uma grande quantidade de mulheres, pois estas só produzem um óvulo por mês. Quando se quer criar coelhos, por exemplo, é aconselhável deixar o mesmo macho com várias fêmeas para rápido aumento da criação. O fato é que não somos coelhos ou preás – pretendemos ser seres humanos – e nosso objetivo como sociedade não é fecundar o maior número de fêmeas possível. Seria bem fácil criar alguma teoria de cunho biológico que "provasse" que o homem deveria ser casto, enquanto à mulher caberia ter vários parceiros. Basta pensar, por exemplo, que é possível a mulheres manterem 30 relações sexuais por dia enquanto o homem estaria "naturalmente" destinado a uma vida sexual menos agitada, por limitações de ordem biológica.

A mentalidade machista que perpassa toda a sociedade, mesmo sem percebermos, contamina nosso cotidiano e traz graves conseqüências.

Uma filha adolescente dormindo até tarde é algo que fere de forma irracional a mãe de família que encara com naturalidade o pai roncar até meio-dia recendendo à cerveja. Quando o pai sai do quarto, vestido apenas com o calção do pijama, se queixando da ressaca, a primeira coisa que pergunta é: "Essa menina ainda está dormindo?". A mãe suspira como que lamentando a filha indolente que tem. Se, acordada pelos pais, a jovem sai do quarto só de camisola, será certamente acusada de falta de compostura. É, de fato, insuportável a uma família constituída nos moldes burgueses ver uma adolescente dormir, andar de camisola, comer, sair com namorados...

Já o filho – apesar de também ser, até certo ponto, considerado propriedade dos pais – é incentivado à vida pública: sair, beber, dirigir, ter amigos e, sobretudo, mulheres. Ele não deve ter propriamente uma namorada; quanto mais efêmeras e numerosas suas ligações amorosas, mais felizes os pais ficam.

Na sala, deitado, um rapaz pede à irmã que lhe prepare um sanduíche. Se a irmã lhe responde que o faça ele mesmo, a mãe intervém chamando-a de preguiçosa e indo ela mesma preparar o lanche do filho (trabalho doméstico, "natural" da mulher). Depois de uma cena familiar deste tipo, normalmente se passa o resto do dia falando mal da jovem, chamando-a de egoísta e imprestável. Seria, porém, inconcebível que a moça pedisse ao irmão que lhe preparasse comida ou fizesse qualquer favor doméstico.

Numa família muito pobre, tal tipo de opressão pode trazer conseqüências devastadoras para a mulher. A filha mais velha pode, por exemplo, ser forçada a ficar em casa cuidando da mais nova enquanto o irmão vai à escola. A filha dedicada o que ganha? Ignorância e escravidão doméstica. A ela restará a esperança de que talvez um dia venha a ser resgatada de sua triste realidade por algum príncipe encantado que a leve a algum bonito castelo. Até lá permanece sofrendo, beijando mais e mais sapos, esperando que algum deles se torne príncipe. Um dia engravida, leva uma surra em casa, é posta na rua, sem lar, instrução ou trabalho. É grande a possibilidade de se tornar prostituta e vir a servir ao rapaz de classe média que exigia, da irmã, um sanduíche. Ele se sentirá feliz em encontrar alguém que o sirva sem restrições, mas no fundo a considerará uma preguiçosa como a irmã, caracterizando-a como mulher de vida fácil.
Nenhuma mulher tem vida fácil sob o capitalismo.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Comunidade nordestina se organiza no Ministério do Baião em Niterói.

Texto: Fabio da Silva Barbosa e Luiz Henrique Peixoto Caldas
Fotos: Fabio da Silva Barbosa, Luiz Henrique Peixoto Caldas
e o fotógrafo convidado, Sérvulo Augusto.
O MINISTRO E OS REPÓRTERES DO BAIÃO
A cidade de Niterói sempre foi conhecida por sua intensa atividade cultural e por ser celeiro de nomes consagrados no meio artístico como Baby do Brasil e Paulo Roberto Chumbinho, baixista que acompanhou Tim Maia durante anos na banda Vitória Régia. Agora, que a face cultural da cidade parecia estar adormecida, nasce um movimento que não para de crescer. Oriundo da comunidade nordestina que vive na região, o Ministério do Baião está se erguendo sob as bases sólidas da cultura e história do nordeste brasileiro.
O CAFÉ DA MANHÃ NORDESTINO ACONTECE REGADO A MUITO FORRÓ, CULTURA E ANIMAÇÃO.

Quem comanda tudo é o Excelentíssimo Ministro do Baião, Zé de Mohura, que produz eventos de peso, como o já tradicional Café da Manhã Nordestino. O Café acontece quinzenalmente aos domingos no Bar do Paulinho, cujo proprietário recebeu a comenda Marques da Gastronomia do próprio Ministro Zé de Mohura. Os títulos são distribuídos de acordo com a função de cada um nos trabalhos elaborados pelo Ministério. Além do café com rapadura, da tapioca e das outras comidas típicas que ficam sobre uma grande mesa, a presença do Cigano do Forró mantém o ambiente animado com muita música, completando o evento que se chama Domingueira Show. O bar se localiza na esquina da Rua Professor Otacílio com Vereador Duque Estrada, em Santa Rosa e segundo os planos do Ministro, será o Centro de Cultura e Tradições Nordestinas.
Outro evento que já está fazendo parte da agenda do ministério são as apresentações em escolas e faculdades. No mês de Abril se apresentaram na Escola Estadual Nossa Senhora Auxiliadora e em Março no Centro Universitário Plínio Leite, apoiando a campanha do livro que visa montar uma biblioteca infantil em uma comunidade carente de Niterói.
Seu livro “Aquarela do Nordeste” está na segunda edição e pode ser considerada a pura literatura de cordel. São 27 páginas com versos que citam grandes nomes, como Lampião, Paulinho Mohura (Marques da Gastronomia), Severino (Amigo das Comunidades), Padre Cícero e até uma “Apologia ao Jumento”. Os livros podem ser encontrados no Bar do Paulinho ou pelos telefones 8835-6067 e 9121-5915.

De Luiz Gonzaga a Zé de Mohura



Zé de Mohura, nascido no município de Umbuzeiro na Paraíba, completou 63 anos no ultimo mês de Março. Foi lavrador e pecuarista na sua terra. Aos 15 anos já tocava em festas locais. No final dos anos 60 foi considerado um ícone do baião, por toda região do Cariri.
Veio para o Rio nos anos 80, onde trabalhou na construção civil. Passado algum tempo, ganhou a vida como porteiro e zelador. Ainda em 80 criou um grupo de forró chamado “Forró do Povo”, apresentando até a década de 90 os melhores sanfoneiros e “cantadores” da época. Atualmente, criou o grupo “Os Menestréis do Baião” e abandonou um pouco a sanfona e o canto para se dedicar à organização do Ministério, a fazer versos, e a divulgar o grupo, que presta homenagem a Luiz Gonzaga, considerado como o melhor astro do século XX no gênero. “Rapaz, Luiz Gonzaga foi precursor e eu sou o difusor. É nisso que me especializei. Na dança, no verso falado... na difusão. Eu apresento e represento minha cultura.” Explica Zé.
Como sempre participou ativamente da história cultural de seu povo, se aprofundando em suas raízes e riquezas, decidiu que a grande Comunidade Nordestina que habita as diversas comunidades existentes em Niterói, deveria se unir para não deixar morrer seus costumes. “Estamos divulgando a verdadeira cultura, não tem nada a ver com isso que está acontecendo por aí. O povo está precisando de categoria e nós vamos levar um forró de categoria até eles.” Se emociona o Ministro.

O MINISTRO APRESENTA O CD E O DVD

A plataforma se apóia na música, na gastronomia, no turismo e na poesia. A música é representada principalmente por Proviete e o Cigano do Forró, que estão entre os melhores sanfoneiros da atualidade. A gastronomia é representada pelo seu Marques, Paulinho Mohura. O turismo ainda está em construção, mas já tem suas diretrizes traçadas. A poesia fica por conta do Ministro que acaba por contribuir em todos os demais campos de atuação.
Um CD e um DVD estão em andamento, fazendo parte do projeto “Sua Majestade o Baião – De Luiz Gonzaga a Zé de Mohura”, que irá abranger um público maior por ser lançado na grande mídia. No CD o Ministro irá expor o primeiro Baião do século XXI, “Baião do Ratinho”. O DVD irá registrar o Dia a Dia do Ministério. Será um documentário de aproximadamente uma hora passando pela história, pelos eventos e acima de tudo, será um material pronto para imortalizar um homem que acreditou em seu ideal, transformando sonho em realidade.

O Ministro do Baião: Zé de Mohura.



Comunidade: Fale um pouco sobre o Ministério.

Zé de Mohura: Em primeiro lugar gostaria de agradecer a presença dos meus amigos “Os Repórteres do Baião”; Rick e Fabinho. Gostaria também de agradecer ao nosso amigo correligionário Cérvulo Augusto. O Ministério é a verdadeira integração dessa comunidade maravilhosa, que é a Nordestina. É à volta e o novo baião. O Baião do século XXI. É um trabalho que está sendo divulgado em âmbito regional, mas que irá se elevar a nacional. Não é mesmo senhores Repórteres?

Comunidade: Claro Ministro. E os projetos futuros?

Zé de Mohura: Na verdade o projeto é tão grandioso que não cabe em um projeto. Ele se apóia em uma plataforma. Esse é o nosso caso. A plataforma se apóia na música, na gastronomia, no turismo e na poesia. O que futuramente vai levar a música a frente vai ser o grupo “Os Menestréis do Baião” que ainda não está pronto de fato. Já temos os sanfoneiros e os espetáculos, mas quando esse grupo estiver definitivamente fechado poderemos ir além da onde estamos indo. Serão os percussores do novo baião.

Comunidade: De todas as bases da plataforma o turismo é a única que ainda não foi posta em prática. Por quê?

Zé de Mohura: Nosso trabalho é um trabalho sério. Não podemos fazer as coisas de qualquer jeito. Algumas coisas dependem um pouco mais de tempo. Mas os contatos já estão sendo feitos. Antes do que se espera essa ultima base irá se concretizar, como as outras se concretizaram. Acredito que daqui a 1 ou 2 anos já estaremos indo para o Nordeste e depois vamos apresentar nosso trabalho em Portugal. O negócio é avançar. Estamos vivendo a globalização e a globalização não é local. Ela é universal. Vamos levar nossa cultura aonde for possível.

Comunidade: O senhor sempre fala com muita seriedade do seu trabalho, mas é uma pessoa sempre à vontade e tranqüila. Como consegue associar os dois extremos? O rir e o sério?

Zé de Mohura: Nós estamos botando para quebrar. Estamos brincando em serviço. Se divertindo enquanto trabalha. E isso não é para qualquer um.

Comunidade: É por isso que o seu trabalho está dando certo.

Zé de Mohura: E vai dar certo mesmo. Porque trabalhar se divertindo não é uma questão só de virtude, mas de capacidade também. E quem vai julgar esse trabalho é o povo. Não existe analista melhor que o povo.

Comunidade: E o que o povo pode esperar do CD?

Zé de Mohura: Boa música nós temos. Graças a Deus.

Comunidade: Tem o DVD também.

Zé de Mohura: O DVD é um trabalho de juntar uma colcha de retalhos. Estamos acabando de juntar a colcha para nos cobrir. Assim que ficar pronto vamos colocar junto do CD para vender em tabuleiros nas feiras.

Comunidade: E o Café Nordestino?

Zé de Mohura: O Café Nordestino é isso aqui que vocês estão vendo. É um encontro de amigos que se encontra para aproveitar um café com rapadura e as especiarias do Nordeste. O aroma e o sabor regional. Ta aí. Se quiser aproveitar... Depois da cerveja toma o café.

Comunidade: Então faz um improviso para fechar essa matéria.

Zé de Mohura: Vou falar sobre o Nordeste.
Quero falar sobre o Nordeste.
Saldar a nossa classe nordestina.
O povo da Paraíba, João Pessoa e Campinas.
O Rio Grande do Norte
terra de caboclo forte.
Nossa terra potiguarina


Projetos Comunidade

Campanha do Livro

O Projeto Comunidade, que já extravasou os limites dessa página está empenhado em montar bibliotecas infantis em comunidades carentes de Niterói. Para isso precisamos de sua ajuda. Deposite nas caixas de coleta no Centro Universitário Plínio Leite um livro que derrepente está esquecido em sua casa, ou que pode ser adquirido em um sebo qualquer por uma quantia que muitas vezes não chega a R$ 1,00. É um pequeno sacrifício que você vai fazer por uma grande causa.
Faça sua parte. É muito fácil reclamar da situação de nossas crianças, mas é muito mais fácil ajudar. Contamos com todos vocês.
Telefones para contato: 2199-1521 ou 9103-0101
Apoio: Curso de Comunicação Social UNIPLI
Coordenação: Marcos Bonetti
(colocar cartaz da campanha)

Rádio Comunitária

O Projeto comunidade com o apoio do professor e coordenador do curso de Comunicação Social da UNIPLI, Marco Bonetti, está se empenhando para montar uma Rádio Comunitária na comunidade Alarico de Souza em Santa Rosa. O projeto poderá se converter em projeto de extensão da faculdade e já conta com o apoio e integração dos moradores e lideranças locais que aguardam ansiosos pela chegada do evento, já que lá o único projeto existente é a escolinha de futebol, feita pela própria comunidade.
A rádio trará inúmeros benefícios ao lugar já que eles não têm um veículo para divulgar seus acontecimentos e reuniões. Aulas de rádio jornalismo serão administradas dando plenas condições dos próprios moradores executarem seus programas.
Vamos torcer para que tudo de certo. A comunidade agradece.

Aulas de Jornalismo

As comunidades que estiverem interessadas em receber aulas sobre jornalismo e até confeccionar seu próprio jornal é só entrar em contato pelo e-mail comunidadeeditoria@yahoo.com.br . Estamos aguardando.

Conheça nossos projetos na internet

Nosso endereço na web é comunidadeeditoria.blogspot.com . Temos também nosso profile e nossa comunidade no Orkut. Participe. Sua comunidade pode entrar no ar.
DIA 21/05 NÃO PERCAM O SENSACIONAL SHOW DE APOIO A CAMPANHA DO LIVRO COM O MINISTÉRIO DO BAIÃO NO CENTRO UNIVERSITÁRIO PLINIO LEITE DAS 18 AS 19 HORAS. SERÁ UMA EXPERIÊNCIA ÚNICA. ISSO PODEMOS GARANTIR.