
LEIA O BLOG CARA DE FUINHA
BLOG DO NOSSO GRANDE COLABORADOR
CLEBER ARAÚJO
DIRETAMENTE DA ROCINHA
E DO COMPANHEIRO TIGRÃO
UM LUGAR AGRADÁVEL PARA PASSAR O DIA
A Rua da Lama, no Centro de Niterói, Atrás do supermercado Carrefur é um ponto de encontro onde se reúnem todos que gostam de aproveitar um dia tranqüilo comendo um peixinho frito nos bares que se estendem pelo local. Ali também se encontra a Associação de Pescadores e Amigos da Praia Grande que tem como Presidente Robson Barbosa Pulsent, no cargo há quatro meses. Robson conta com a colaboração do pescador Betinho, a quem ele chama de seu braço direito. Juntos eles estão tentando organizar a pesca no lugar.
A associação existe há 30 anos, quando Valdenir Bragança cedeu esse espaço para os pescadores, que dês de então vem fazendo melhorias no lugar.
CAPELA EM REFORMA
MAIS UM DIA DE LABUTA
Outros projetos que a associação quer concluir é a construção de uma carreira (tipo da rampa que auxilia o pescador a tirar o barco da água para manutenção), um pequeno estaleiro, o recadastramento dos pescadores e uma melhor organização da rua para o visitante ser recebido devidamente, já que o lugar é muito freqüentado. A limpeza da orla já foi solicitada à prefeitura pelo Presidente, mas segundo ele, os funcionários responsáveis por esse tipo de atividade não aparecem com a freqüência necessária.

OBRAS SE FAZEM NECESSÁRIAS
Os peixes são vendidos no Mercado São Pedro a partir das 2 horas da manhã. As 6 horas encerram-se as vendas e os pescadores voltam para o mar, onde ficam por um período que pode chegar até 2 dias, dependendo da pesca.
Água fluvial empossa na areia proporcionando transtornos para quem freqüenta a praia.
No final da Rua da Lama fica a Praia Grande, usada por banhistas e pescadores. Quando descemos na a areia, nos deparamos com uma grande poça d’água, que segundo informou o presidente e pescadores que estavam próximos, vem de uma tubulação que teria sido construída pelo supermercado Carrefur. Na época foi alegado que seria despejo de águas fluviais, não oferecendo risco aos usuários da praia. Embora não tendo conhecimento do órgão que autorizou a obra, eles aceitaram a decisão confiando no que lhes foi informado.
O problema é que quando chove desce um excesso d’água com lixo que é arrastado pelo caminho e que acaba por empossar, tomando conta de uma parte considerável da areia. Essa poça demora a secar ocasionando um péssimo aspecto e mal cheiro. O próprio Robson já foi vitima do problema.
“Puxei meu barco para fazer manutenção na areia e acabei por machucar meu pé. Em um momento de distração deixei entrara em contato com essa água. Fui parar no Antonio Pedro. Tomei várias injeções e ainda estou com essas micoses em volta que ta difícil de ficar bom.”
Entrevista com Betinho
Comunidade: Há quanto tempo você pesca?
Betinho: Dês de criança.
Comunidade: O que mudou de lá para cá? Melhorou ou piorou?
Betinho: Se eu for falar vou colocar muita das nossas autoridades responsáveis pelo progresso da nação... Eu vou enterrar todos eles. Os responsáveis pela Baía de Guanabara estão pouco se importando com o que está acontecendo e se continuar dessa maneira, toda essa praça de mar que alimenta tanta gente vai acabar. A poluição só aumenta. Cadê a sardinha que se via aqui constantemente? Não tem mais. Onde estão os botos que passavam por aqui? Não tem mais. Não existe mais comida para eles. E se não tem comida para eles é porque a nossa também está para acabar. A lama está tomando conta de tudo. Onde era o banco de alimentos deles, agora é lama. Isso sem falar na pesca predatória que ninguém faz nada mesmo sendo proibida. Agora se o pescador artesanal entra em alguma área que eles consideram indevida, aí agente vai preso e tudo. Essas são as autoridades que nós temos no país. Infelizmente agente tem de falar.
Comunidade: E o projeto de despoluição da Baía?
Betinho: Isso eu escuto dês do tempo de Brizola. Sei que é um projeto a longo prazo, mas até agora o pescador não viu nenhuma mudança significativa.
Comunidade:O que você acha que seria necessário para mudar essa situação?
Betinho:O que o povo brasileiro precisa é de políticos que cumpram o que prometem. Mas só tem demagogo. Eles prometem aquilo que não vão fazer.
Incêndio Criminoso destrói aldeia indígena Guarani na Praia de Camboinhas em Niterói
Numa atitude covarde, criminosos destruíram, no último dia 18, a aldeia Guarani instalada desde abril na praia de Camboinhas, endereço nobre na região oceânica de Niterói, na Grande Rio de Janeiro. O incêndio ocorreu no momento em que os homens do grupo participavam de uma reunião em outro ponto do bairro. Somente mulheres, crianças e um índio estavam na aldeia. O fogo deixou ferido o indígena Joaquim Karaí Benite, de 43 anos, que teve queimaduras de segundo grau nas costas e no braço esquerdo. De acordo com a Polícia Civil, o incêndio foi criminoso. Lídia Nunes, de 67 anos, espécie de líder do grupo, ouviu quando um homem gritou: "Olha os índios pegando fogo!". Segundo Lídia, ele correu em direção ao canal que divide as praias de Camboinhas e Itaipu. Quando o fogo começou, havia muitas crianças no local. As índias correram para tirar três bebês, um de 11 meses, um de 1 ano e outro de 1 ano e 3 meses de uma das ocas.
Em todo o Brasil, os indígenas se organizam para retomada de seus territórios tradicinais com base em seus direitos originários, no artigo 231 da constituição federal e na declaração dos diretos dos povos indígenas assinada pelas Nações Unidas em 2007. Segundo declaração de Márcio Meira, presidente da FUNAI, a população indígena tem crescido nos últimos anos, isso demonstra que as pessoas estão perdendo o medo de se declararem como indígenas e assumindo a sua origem ancestral. As elites brasileiras temem que o povo assuma sua origem indígena, e busquem conhecer mais sobre a espiritualidade e sobre as categorias da cosmovisão dos povos nativos, já que tais modos de ver e lidar com a realidade colocam a civilização do consumo e descarte em xeque.
Por isso, segue a guerra simbólica nos meios de comunicação de massa e demais aparelhos ideológicos do estado no intuito de conservar a visão romântica do "índio" no ideário da sociedade, reforçando estereótipos preconceituosos. A homogenização da identidade nacional é um recurso de dominação cultural usado pelas elites desde o tempo da Colônia e do Império, vide a menção aos indígenas na lei das Sesmarias e lei das terras de 1850. O incêndio da aldeia Guarani em Camobinhas, as declarações absurdas do Governador José Roberto Arruda em relação ao Santuário dos Pajes, o caso da demarcação da Raposa Serra do Sol, o caso da expulsão da Comunidade Guarani de Eldorado-RS da porta da FEPAGRO, e muitos outros casos recentes são exemplos de intolerância dos poderes institucionais e da elite brasileira. A restência que já completa mais de 500 anos segue!
(tirado de www.midiaindependente.org)
