segunda-feira, 17 de novembro de 2008

VILA IPIRANGA - parte final


Projetos Sociais

TEXTOS E FOTOS... POR... ADIVINHEM QUEM

FSB&LHPC


Além do Médico de Família, outros projetos estão indo de vento em polpa na Vila Ipiranga. Uma dessas iniciativas, que merece destaque é a Biblioteca Agnaldo Pereira de Anchieta. O bibliotecário Alencar Pereira nos contou que esse é um projeto da Prefeitura de Niterói e que já conta com cinco bibliotecas espalhadas pela cidade. Qualquer morador pode se cadastrar gratuitamente nessa biblioteca. Basta trazer um comprovante de residência, uma foto e identidade. Pode ser emprestado até três livros por vez e ficar com eles até uma semana. A biblioteca conta com o acervo, inteiramente recebido por doação, de vinte mil livros. Diariamente são recebidos jornais que eles disponibilizam por leitura. Eventos com contadoras de estória e
apresentação de dança acontecem em parceria com o Centro de Referencia de Assistencia Social (CRAS) entre outras instituições. Atualmente a biblioteca da Vila Ipiranga tem mil usuários cadastrados, sem contar os estudantes que vem para pesquisa e os leitores diários de jornal..


Evanilde, moradora a 30 anos da Vila Ipiranga nos contou que o CRAS começou em 2006 e atua com o bolsa família, zooóse, documentação entre outros caminhos. Ela trabalha no projeto e disse que atuam diretamente com a secretaria de Assistência Social. Muitas oficinas acontecem dentro do espaço. As oficinas direcionadas a juventude e aos idosos foram muito comentadas por Evanilde, que deu ênfase a oficina de Grafite, que veio dar uma cara diferente as crianças, que conheciam a atividade de pintar muro apenas como pichação. Ela explicou que o grafite deu outra perspectiva a esses jovens, mostrando algo mais artístico que simplesmente sujar as paredes. As aulas de Judo e de dança de rua também estão sendo muito procuradas.

Daniele é a responsável pelas oficinas para os jovens. "Trabalho com isso porque me faz bem. Realmente gosto dessas atividades. Me rejuvenece, mesmo não tendo muita idade. Pretendo me formar em Assistente Social."

Daniele mostra um de seus grafites favoritos. A comunidade aderiu bem a essa cultura e pode se oservar muros coloridos pelos grafites enfeitando todo o local.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Vila Ipiranga - Parte II

Por: Fabio da Silva Barbosa e Luiz Henrique Peixoto Caldas

Entrevista com o Presidente da Sabiá.
A escola de samba da Vila Ipiranga

COMUNIDADE: A quanto tempo existe a Sabiá?

Jhonatan: A Sabiá é a escola de samba mais antiga de Niterói em atividade. Ela tem 70 anos de existência e ficou parada a 15 anos.

COMUNIDADE: E como está sendo esse recomeço?

Jhonatan: Estamos praticamente montando uma escola nova. Procurando novos integrantes para a bateria, montando outros seguimentos... Estamos começando tudo de novo. O que tem ajudado muito é a participação da comunidade.

COMUNIDADE: Como foi a história da escola?

Jhonatan: É uma história muito longa, devido a sua idade. Ela ganhou o primeiro campeonato de escolas de Niterói. Ganhou o de 46, 47, 48 e 92. Em 94 a escola parou junto com o carnaval de Niterói.

COMUNIDADE: Tem evento marcado?


Jhonatam: Além do Sambão do Sabiá aos domingos estamos sim com outras programações. Dia 9 de novembro a partir de 12:00 H tem uma dobradinha e as 20:00 a final do samba enredo. No dia 5 de dezembro faremos uma apresentação no Teatro Popular, onde apresentaremos o enredo da escola, que irá falar sobre os pontos turísticos da cidade.


Severo Carvalho,
o carnavalesco

COMUNIDADE: A quanto tempo você trabalha como carnavalesco?

Severo: Aqui é meu primeiro ano, mas já trabalho nisso há 42 anos. Tenho 68

COMUNIDADE:Como você decidiu fazer esse trabalho com a Sabiá?

Severo: Conheci meu amigo Jhonatan que é uma pessoa excelente e vi a luta deles. Onde a gente vê trabalho chega mais trabalho. Aqui tem união e observo algo muito importante nisso que estamos desenvolvendo. Eu estava trabalhando no Espírito Santo e em Brasília. Tenho contrato com algumas escolas até2010, mas fui muito bem recebido pela comunidade aqui e pretendo dar uma grande força a eles. Espero corresponder a confiança que eles depositaram em mim.

COMUNIDADE: O que mudou no carnaval de quando você começou até hoje?

Severo: Mudou para pior. Antigamente o carnaval era na rua, agora está restrito ao turista. E o pior é que acho que atualmente não tem como voltar. Era outra época. Hoje em dia é um sacrifício para arrumar patrocínio. Tem certas coisas que não aconteceriam da mesma forma. Aconselho que o pessoal que está começando agora tenha garra. Acredite no ideal. Acredite que vai conseguir.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

vILA iPIRANGA

(PARTE I)

TEXTO E FOTOS POR:
FABIO DA SILVA BARBOSA
E LUIZ HENRIQUE PEIXOTO CALDAS

A Vila Ipiranga, no Fonseca, possui quatro mil famílias, o que resultaria em uma média de doze mil pessoas. Ela foi agraciada no decorrer do tempo por alguns projetos sociais, mas o Presidente da Associação de Moradores Celso Paulo Pereira dos Santos, conhecido como Pastor Celso, 52, diz que a Vila é uma comunidade muito complexa e que existe um afastamento entre o Governo Municipal e Estadual e às comunidades carentes.
Um exemplo disso são pelo menos 12 pedidos relacionados a solicitação de Guardas Municipais no entorno do lugar para garantir a segurança no trânsito. Na Rua Tenente Ozório, onde se localizam escolas, médicos e vários projetos, que levam centenas de mães e crianças a circular pela localidade, já ocorreram vários atropelamentos. O trânsito caótico da Alameda São Boa Ventura está sendo desviado por causa das obras para as ruas em volta. “ Nós temos um sinal, mas muitos carros e até ônibus não respeitam. Já peguei ofício com todas as instituições que estão em volta e não resolvemos porque falta vontade política.” Lakmenta-se o Presidente.
Celso ainda diz que: “Todas as comunidades de Niterói estão passando por um problema muito sério. As necessidades são muitas por causa do abandono da prefeitura. A começar pelo saneamento básico. Água, esgoto, Luz, pavimentação, encostas... A realidade de hoje é que as coisas simplesmente não acontecem. As águas fluviais não tem um bom escoamento. Muitas casas foram feitas em cima de rios e muitos estão assoreados.”
Mas a grande pirioridade, segundo o presidente, é reaproximar a própria comunidde de sua associação. “Toda diretoria dessa Associação é atuante. Concorri pela primeira vez e venci. O problema é que se torna impossível atingir uma totalidade de pessoas satisfeitas com o trabalho da Associação. Nenhuma associação pode conseguir isso. São muitas pessoas com opiniões e necessidades diferentes. Por vezes o afastamento se dá devido a diretorias passadas, que ficam muito abaixo das expectativas. Se a gente vai a um lugar onde não é bem recebido ou que a coisa não funciona, a gente não volta. Outra questão, é que na vila Tem várias pessoas que se dizem líderes, mas são líderes partidários. Cada um puxa a brasa para sua sardinha, não permitindo que aconteça o que deveria acontecer que é a união da comunidade.”
As obras do Programa de Aceleração do crescimento (PAC) gerou uma expectativa para toda comunidade. Em qualquer parte que fossemos ouvíamos pessoas cobrando as tão prometidas melhorias e aguardando pelas vagas que serão preenchidas com a mão de obra dos moradores da própria comunidade para a execução das mesmas. Uma obra inaugural foi realizada no dia 14 de Dezembro. Mas de acordo com os moradores e a diretoria da Associação a companhia “Águas de Niterói” furou menos de 100 metros de chão e parou a obra. Mês que vem fará um ano que as obras estão paradas. O Presidente explicou que a planta utilizada pelo projeto está incompatível com o lugar. Faltam ruas e travessas no documento. Ele ainda alega que: “As casas cresceram, as famílias aumentaram e eles continuam com projeto para duas ou três pessoas. A situação tem
de ser muito bem pensada. A luz, por exemplo, tem de ser vista sabendo que estão entregando esse recurso a uma comunidade carente. O chip da Ampla apresenta problema de aumento nas contas de todo lugar que chega. Aí o cara não tem dinheiro... A Ampla vem e corta a luz porque ele não tem como pagar. Ele não vai poder ficar sem luz. Faz o gato. Aí ao invés de solucionar o problema gera vício."
Pastor Celso tem esperança de que com o fim desse ano de transição política as coisas comecem a funcionar e se recupere o tempo perdido. "A administração estadual e municipal está muito afastada da nossa realidade e abaixo de nossa expectativa. Passamos por um ano de transição política onde nada funcionou. Espero que a partir de janeiro, com a mudança de gestão, as coisas funcionem. Que as secretarias funcionem, e a gente tenha acesso e os pedidos sejam atendidos."
A parte de cultura fica cargo de Jailson Gomes dos Anjos, 41, nascido e criado na Vila Ipiranga. Ele é um colaborador direto da Associação e participa de todo movimento cultural e social da comunidade. Seu grande orgulho é ver o retorno da Escola de Samba Sabiá. Jhonatan da Costa dos Anjos, 21, filho de Jailson e neto do último presidente da escola, é o responsável por essa empreitada. A quadra da escola de samba abre seus portões aos domingos a partir das 19:00 h e a entrada é gratuita. A quadra fica na Rua Tenete Ozório n° 12.


Diretoria da Associação: Presidente - Celso Paulo Pereira dos Santos; Vice-presidente - Iara Santos; Diretor de Patrimonônio - Daniel; Diretor Financeiro - Wilton Neri; Diretor de departamento - Geraldo; Secretário - Wendel; Colaboradores Diretos: Jailson, Rogerinho, Zezinho e Marquinhos.
Endereço da Associação de Moradores: Centro Pró Melhoramento da Vila Ipiranga.
Travessa Santa Rita n° 3B

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

SPACE

VISITE A PÁGINA DE EVENTOS DO SPACE COMUNIDADE EDITORIA
http://lancamentodolivro.events.live.com/
LEITURA
COMUNIDADE EDITORIA APÓIA ESSA INICIATIVA

terça-feira, 11 de novembro de 2008

@LPISTE DJ FUNK DIVULGA




COMENTÁRIOS QUE CHEGAM

"SALVE WINTER"
1 comentário -
Mostrar postagem original

Guilhermé disse...
Responsa o livro. Vou tentar aparecer por lá.Abraço.
10 de Novembro de 2008 05:53

Resposta:

Pinta lá
Será um prazer
Com certeza e equipe Comunidade estará presente em peso
FSBLHPC

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Esse saiu ontem no Blog da Ana Ju, ELE NÃO QUIS POSTAR. Vale a pena acompanhar.


(Domingo, 9 de Novembro de 2008)

uma lembrança; (o dia que o COLETIVO invadiu a Vila Maria)

tava guardado, resolvi postar. pra poder me fortalecer e querer mais. (e incrível como este som do Kamau descreve este domingo).
muitoaxépraquemlutaenãodesiste.
-
Samba sem pandeiro

A descarecterização de um movimento (este texto é um e-mail de agradecimento enviado ao pessoal que esteve com nós neste 29.3 quando atravessamos as portas e grades amarelas e passamos o dia do lado de lá.)

Onze da manhã. Horário marcado há uma semana, uma tensão na mochila, mas muita vontade de que tudo desse certo. Solzão estralava do lado de fora, era dia de visita e por isso mesmo rolava já um certo desconforto por parte daqueles que coordenam o rebanho – assim como gado. Uma hora e meia de espera, do lado fora quem quer entrar e de lá dentro centenas esperam meses e anos para sair. Paradoxos de uma terra sem dono, de comunicação difícil, de olhares de reprovação.
Passamos pelo portão. Sem bom dia de quem se acostumou a tratar o próximo com tapa na cara. E aí começaram a nos despir. Bonés, pulseiras, relógios, colares...Quem quisesse ficar de boné, teria de vestir uma calça de moletom que eles tinham guardadas para casos assim. Grande avanço: “foram todos de bermuda”, eles disseram. Naquele sábado de sol, o Hip Hop foi sem boné. Sem retórica, até porque ali quem fala por último dá ordem, e ordens, em terra de gado marcado, são obedecidas.
O programado não pode ser cumprido. Lanche não entra, material para o estêncil também não. O break, também não. ‘Menor de idade só aqueles que a gente sabe tomar conta’ – e ainda dizem com sorriso sarcástico. “Mas não tinham te avisado?’, “Não, não mesmo’.
A disponibilidade do diretor era de cinco minutos. “Infelizmente não vou poder acompanhar as atividades porque eu tenho uma reunião fora daqui”, “Ok”, sem mais palavras porque até então a censura descia guela abaixo. Entrega um cartão com a foto do modelo da Fundação – aquele amarelinho com azul. Alienante, quando se para pára pensar na conotação da cor amarela....”Não liberei a TV Cultura para entrar neste sábado, mas quando vocês voltarem, eu vou pedir para que eles venham”, “Ok” - mais uma vez antes que eu te mande pra puta que o pariu”.
“Então, os grupos tocam ali, e os meninos acompanham os shows sentados”, “Sentados??? Impossível”. “Mas então se eles ficarem em pé não vão poder passar da metade da quadra”, “Ok” – mais uma vez por não querer arrastar a discussão.
E entre censura, poda, restrição e reprovação e oks, o dia passou sem relógios.
“Pede pra eles não dizerem muitas gírias nas músicas”, “Nossa, você ouviu o que ele disse?”, “Ah não, deste jeito não pode”, “Quem ele tá chamando de vagabundo na música?”, “Olha o céu, vai chover, precisamos terminar isso logo”, “Vamos lá pra dentro comigo”... e até que a história do tapa na cara veio a tona e as justificativas tiveram de vir do outro lado... milhares, infundadas. “Mas o funcionário foi afastado”, “Mas isso é o mínimo que se pode fazer”. “Mas quando eles têm atividades fora da Fundação, eles vão com escolta, mas não para repreender, eles até almoçam juntos com a polícia” .... “Nooossa, que legal. Vamos voltar porque já são cinco e dez” – lá dentro tinha um relógio pra situar o tempo naquela tarde ardida.
O tapa na cara, vindo de um funcionário em um dos adolescentes que estavam ali naquela tarde quente, pode ser que doa menos do que o descaso, os olhares de reprovação a cada gesto que era feito, a censura que tentaram nas nossas palavras, a descaracterização do nosso estilo. A violência muda machuca mais ou tão mais que agressão física. Ela é sutil e disfarçada de regra, nos impossibilita de argumentar, mesmo que os argumentos sobrem e venham de todos os lados. Em 50 ali, nós ainda éramos nada, e aliados aos adolescentes, nos tornamos ameaça.
Com todos os obstáculos e forças nos puxando ao contrário, a nossa agressão a eles veio em palavras, não há como ficar quieto frente a tanta repressão, desencontro e falta de crédito que deram ao trabalho que todos ali estavam dispostos a fazer. A gratidão dos adolescentes por nós foi o combustível para seguir até que o som fosse cortado. A festa termina sob a declamação “Todos pra sala de recreação, e ai a-ca-bou”, soletrado, pausadamente pra mostrar definitivamente quem era que mandava ali. Nos formulários preenchidos por eles, ficou claro o medo desta violência muda, que certamente eles sofrem todos os dias, do acordar ao dormir. È como se ali, eles estivessem sendo ordenados a não pensarem, a não questionarem, para assim manterem o eterno ciclo, da liberdade à prisão. Mantendo a máquina abastecida de violência, descaso, repressão e desigualdade. Sem estímulo para pensar, eles não têm vias para expressar o que sentem e já que é assim, eles continuam a sair e voltar lá pra dentro.
Não houve tempo para que cada um de vocês fossem agradecidos por terem participado, porque haviam algumas situações a serem amenizadas e debatidas com os coordenadores. Não há como calar quando se vê e se sente a injustiça vinda de quem se disse a favor da diversidade e da educação contra a violência.
Talvez agora eles estejam pensando que não voltaremos mais, que já desistimos, que assim como eles fazem com aqueles adolescentes, conseguiram fazer com nós. Mas mesmo que a nossa volta não seja resolvida através das ‘amenidades’ necessárias para não gerar conflito, temos força através do próprio estatuto da Fundação - que na palavra impressa lá no papel, diz que há o direito dos adolescentes terem espaço adequado e atividades culturais para que possam se ressocializar de maneira digna. Além disso, a liberdade de expressão também é assegurada por lei. E já que ela funciona tão bem para que muitos fiquem presos, desta vez ela também irá valer para que fiquem livres – mesmo que este livre esteja restrito a quatro muros de concreto.
rabiscado por anaju às 14:29