quinta-feira, 12 de março de 2009

CARTA DO POVO CAIÇARA DA CAJAÍBA

PARATY, JUNHO DE 2008


PEDIMOS SUA AJUDA, PARA CONSTRUIR UMA ESCOLA PARA NOSSAS CRIANÇAS

Os Vilarejos da Cajaíba são Comunidades Tradicionais Caiçaras de muitas gerações. Nosso Povo vive na Costeira do município de Paraty desdo tempo dos Nativos. Neste mesmo lugar, nasceram e criaram os avós dos nossos avós, que eram os índios. E nós também criamos nossos filhos entre a floresta e as cachoeiras, entre as praias e as montanhas, entre o céu e o mar. O mar que ainda nos alimenta, ou do peixe que dá, ou guiando nossos barquinhos a cidade.

Pouso da Cajaíba, Praia Grande da Cajaíba, Calhaus, Ponta da Juatinga, Saco Claro, Saco da Sardinha, Ponta da Rombuda, Martin de Sá, Saco das Anchovas, Cairuçu das Pedras, são nossas Comunidades, que não tem luz, não tem estrada. Falta até Educação. Mas nosso Povo tem uma hiistoria para contar. E um sonho tão bonito quanto nossas Natureza.

Antigamente, agente vivia da pesca e da roça. Vivíamos na nossa tradição de respeito e humildade. A Terra dava fartura, e a palavra era Lei. A Terra era de todos. Quem precisasse, construía sua casa, plantava seu alimento, mas ninguém vendia Terra, pois ela não tinha dono. O conhecimento era aprendido no dia a dia do trabalho. O pai mostrava para o filho: "esse é o pé de Ingá Flexa, bom para fazer canoa." O povo tinha muita saúde, as pessoas viviam 100 anos, só com remédio da mata, e a sabedoria das plantas passadas de avó para neta.

Hoje tudo está mudando e se perdendo no esquecimento. A roça acabou. As atividades tradicionais de plantar mandioca e fazer farinha, só alguns dos mais antigos fazem ainda. A pesca esta acabando. Por causa da pesca predatória dos grandes barcos de fora, o peixe mal dá para comer. O peixe foi trocado pelo miojo, e a banana pelo biscoito. Hoje tudo vem das embalagens do mercado da cidade.

Hoje em dia é muito difícil arrumar trabalho. Não tem um jovem que sabe o que ele quer ser amanha. Antes, agente sabia. Queria se pescador, dava pra ter qualidade de vida. Hoje a pesca não da futuro. Os jovens não tem mais certeza para saber "amanha, quero ser isso!". Muitos vão para a cidade atras de emprego, condições melhores, estudo. Vivemos procurando um meio de sobrevivência, e nos sustentamos com um turismo desordenado de fim de ano.

Muito caiçara já vendeu sua casa, sua terra para gente de fora. Foram embora, buscando algo melhor em paraty. A cidade é a única opção para os pais que querem que seus filhos completem os estudos, e não passem pelas mesmas dificuldades. Mas lá, só conseguem o básico para sobreviver. Estão lá por necessidade. A criança, que morava na beira da praia, se muda para a periferia de paraty, morando em condições precárias. A liberdade da brincadeira da roça é trocada pela poluição e violência do dia a dia da favela. Os pais, sufocados pela cidade, pelo aluguel, por contas que antes não existiam.
Nós precisamos capacitar nossos jovens que estão sem ter o que fazer. Mas o estudo aqui só vai até a quarta série. A maioria que fez, só sabe ler e escrever, e muito mal, só o básico. Estamos numa situação desconfortável. E temos pouco apoio de fora. Nem mesmo o supletivo chega aqui.

Somos uma Grande Família. Nós temos uma Grande Tradição. Somos um Povo Caiçara Nativo, Verdadeiro. Temos o conhecimento do Lugar. Conhecimento sobre a pesca, sobre nosso mar. Os saberes da mata nativa, a floresta que existe até hoje porque foi preservada pelos nossos povos. Temos o conhecimento dos costumes de nosso povo caiçara.

E este conhecimento está se acabando. Hoje em dia não tem um menino que sabe a história desse lugar como os avós foram criados. Chega para um menino da praia e pergunta o que é um azul marinho, ele não sabe.

A nossa família, está se partindo. O povo de fora, que compra as terras, trouxe os muros da cidades. Suas casas ficam o ano todo vazia, mas são cercadas, para ninguém entrar. mas eles entram nos nossos quintais que são abertos. Dizem que a terra do baixo ate o morro é deles. Na Praia Grande, de 23 familias, hoje só tem duas, o grileiro expulsou todo mundo, até a escolinha fechou. Casa Caiçara não tem muro não. Para nós, o que vale é a palavra. Mas junto do turismo, veio a separação, a luta pela terra, a briga por um trocadinho a mais que o parente. E muitas vezes, esse trocado é gasto tudo em álcool e fumo, ou coisa pior. Hoje vemos os nossos vilarejos tomado pelas drogas.

Mas ainda estamos lutando pelo Futuro de Nossas Crianças!

Precisamos formar pessoas aqui com os valores de antigamente. Com capacitação para viver em igualdade, dentro e fora da comunidade. Aprender a distribuir melhor a renda do lugar, gerar emprego aqui dentro, se dedicar um pelo outro, e ter melhores condições sociais.

Por isso convidamos você a ajudar agente a construir nosso sonho. Realizar com nossas mãos. Vamos construir uma Escola para resgatar a Cultura Caiçara. Trazer Qualidade de Vida para Nosso Povo.
Hoje, é cada um por si, e a Escola vai ajudar a resgatar a tradição de um ajudar o outro. Não se envolvendo com drogas e violencia, os jovens vão cuidar mais da Família e da Comunidade.

Vamos construir uma Escola para o Povo daqui ter de onde tirar o próprio sustento, com igualdade. Uma Escola onde se aprende as tradições caiçaras, fazer canoa, remendar rede, contar nossos causos, igual agente fazia quando era criança, mas agora nas aulas de português e matemática. Onde tem o conhecimento do nosso lugar e o de fora, para agente saber se virar na cidade, no mundo, mas principalmente na nossa comunidade.

Queremos uma Escola onde a merenda é feita com alimentos da Comunidade. Criadas pelo trabalho em grupo dos alunos. Nas aulas de historia, plantar mandioca. Nas aulas de biologia, plantar frutas. Os jovens e crianças enquanto estão aprendendo educação, valores humanos, estão tirando seu próprio sustento, seu alimento. E estão trabalhando juntos pela Comunidade.

Essa é a Educação que queremos para o nosso Povo Caiçara da Cajaíba. O Futuro das crianças que estão crescendo, voltando as tradições antigas, e aprendendo as coisas boas dos dias de hoje, como a agroecologia, e a permacultura. Queremos Construir Nossa Melhor História.

Nossas Comunidades juntas tem mais ou menos 150 familias, uns 400 moradores.

Hoje temos uma lista com 52 nomes, dos mais de 80 jovens e crianças que há muitos anos esperam a 5ª série para continuar seus estudos. E a cada ano mais crianças entram na lista, ou vão embora para Paraty.



A associação de moradores da comunidade do Pouso da cajaíba, juntos com amigos, está montando o projeto de uma Escola Caiçara Ecológica. Uma Escola Pólo Comunitária de 5ª a 8ª série. Por que estamos cansados de esperar!



Pedimos a sua ajuda para realizar nosso Sonho. Essa ajuda pode ser como você puder contribuir, seja através de serviços, doações de materiais, recursos financeiros, ou até mesmo com orações.



Estamos profundamente agradecidos.

Como retribuição, convidamos você para conhecer nossas Comunidades, nossas praias, nosso Paraíso.



FALE COM AGENTE:

Francisco Xavier Sobrinho (Presidente da Associação de Moradores do Pouso daCajaíba): (24) 99011073

Ana Paula (moradora do Pouso da Cajaíba) (24) 98381522

Orelhão do pouso da cajaíba: (24) 33621810 / 33621809

Email: pousodacajaiba@...

Endereço: Pouso da Cajaíba, 2º distrito de Paraty, Paraty, RJ, Brasil



O PROJETO ESTÁ SENDO MONTADO PELA ASSOCIAÇÃO DE MORADORES DO POUSO DA CAJAÍBA, E PARCERIAS AMIGAS: RAÍZES E FRUTOS (PROJETO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO – UFRJ) , ONG VERDE CIDADANIA, CASA ESCOLA, E VISITANTES AMIGOS, QUEM QUISER PARTICIPAR, E TER ACESSO AO PROJETO POR FAVOR ENTRE EM CONTATO CONOSCO.


ouçam as canções do Luis perequê, caiçara de paraty



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"já chegou a hora
de nos abraçar
não percamos tempo sem amar.."

quarta-feira, 11 de março de 2009

Estão abertas as inscrições para o curso de TV Digital do projeto Olho Vivo/Tela Interativa

, desenvolvido pela Bem TV – Educação e Comunicação, em parceria c/ o Oi Futuro e o Sesc Niterói. As vagas são p/ duas turmas, uma de produção audiovisual e outra de programação de internet. Os inscritos devem ter entre 15 e 22 anos e possuir conhecimentos básicos de roteiro, produção e edição de vídeo (p/ a oficina de audiovisual) ou conhecimentos de linguagem p/ internet – HTML, ASP ou PHP (p/ a oficina de programação).

Os selecionados farão parte dos grupos de jovens comunicadores Nós na Fita (vídeo) e Virtuação (internet), assessorados pela Bem TV. Juntos, os dois grupos desenvolverão um programa piloto c/ interatividade p/ TV Digital e terão a oportunidade de dominar tecnologias avançadas de produção para televisão.
A duração das oficinas de produção é de seis meses. Os encontros acontecerão três vezes por semana. Em dois desses encontros, os jovens de cada grupo se reúnem separadamente, para, ao mesmo tempo em que se capacitam, produzir o programa piloto. Uma vez por semana os dois grupos estarão juntos, p/ discutir as possibilidades da TV Digital e pensar o tema, o formato e as interações do programa.
A oficina Tela Interativa é um desdobramento do projeto Olho Vivo, desenvolvido pela Bem TV desde 2003. O objetivo do projeto é formar jovens comunicadores que tenham uma visão crítica da mídia e dos processos sociais e possam utilizar a comunicação na construção de uma sociedade solidária. Os jovens dos grupos assessorados pela Bem TV já desenvolveram uma série de produtos (vídeos, fotografias, jornais e sites), exposições e eventos que fizeram com que os temas relevantes para a juventude fossem debatidos em escolas, cineclubes, centros culturais e em canais de TV. A produção também pode ser vista no site www.niteroicomunidades.org.br, desenvolvido pelo grupo Virtuação.
Inscrições: até 28/03/2009
Para receber sua ficha de inscrição: Escreva para bemtv@bemtv.org.br ou ligue para 3604-1500
Início das aulas: 07/04

segunda-feira, 9 de março de 2009

COMUNIDADE INDÍGENA

TENDO EM VISTA OS COMENTÁRIOS CONSTANTES QUE ESTÃO CHEGANDO SOBRE A SITUAÇÃO DOS SAMBAQUIS DE CAMBOINHAS PEDIMOS AOS INTERESSADOS QUE ACOMPANHESM O DESENROLAR DOS MESMOS NOS COMENTÁRIOS DESSAS MATÉRIAS POSTADAS. CASO TENHAM ALGUM MATERIAL CONTENDO NOVIDADES SOBRE O ASSUNTO ENVIEM PARA NOSSO E-MAIL QUE POSTAREMOS COM TODO PRAZER AQUI. O ESPAÇO ESTARÁ SEMPRE ABERTO PARA LUTAS JUSTAS EM PROL DE COMUNIDADES CARENTES E MARGINALIZADAS. ESTAMOS TORCENDO PARA QUE ESSES PROBLEMAS SE RESOLVAM LOGO, PARA QUE POSSAMOS CONTINUAR NOS CONCENTRANDO NA LUTA.
DIVIDIR É ENFRAQUECER E DAR APOIO AOS QUE JÁ BUSCAM CONSTANTEMENTE UM MOTIVO PARA FALAR MAL.
FSBLHPC

quinta-feira, 5 de março de 2009

Agenda de Reuniões do Fórum Estadual Intersetorial

- Voz dos PovosQuilombolas, Assentados e Acampados Rurais, Indígenas e PescadoresArtesanais –



Ano 200912 de janeiro - Auditório do INCRA

- Rua Santo Amaro, 28 - Glória/RJ

16 de março

11 de maio

13 de julho

14 de setembro

09 de novembro

Horário: 10 às 16 horas

Local: Auditório da Defensoria Pública

Av. Marechal Câmara, 314 - 2º andar - Centro - Rio de Janeiro/RJ

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quarta-feira, 4 de março de 2009

NENHUM CENTAVO A MAIS! RESISTIR ATÉ A TARIFA CAIR!

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Todos os anos, em todo Brasil, as tarifas do transporte público vão sendo progressivamente aumentadas. Isso faz com que cada vez menos a população pobre tenha acesso a esse serviço, ficando confinada nas periferias, sem direito ao acesso à cidade. Segundo o próprio governo federal, em 2005 cerca de 40 milhões de brasileiros encontravam-se impossibilitados de utilizar o transporte coletivo por não possuírem condições financeiras de pagar as elevadas tarifas. Hoje, certamente, esse número deve ser ainda maior. Mesmo aqueles que conseguem utilizar o transporte público, sacrificam grande parte de seus orçamentos pagando por um serviço que deveria ser garantido a todos. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) demonstram que hoje o transporte coletivo é o terceiro maior gasto da família brasileira ou mesmo, dependendo do número de filhos, o segundo. Se o transporte coletivo continuar sendo visto como uma mercadoria e não como um direito, os aumentos vão continuar acontecendo todos os anos, aumentando a exclusão social! Transporte coletivo é serviço público essencial e deve ser tratado como política pública. Chega de entregar o controle do sistema público de transporte para empresas, que só querem lucrar explorando nosso direito de ir e vir!
Se o transporte é direito, que seja verdadeiramente público, de qualidade e de acesso total e irrestrito a toda a população, financiado pelos setores mais ricos da sociedade. Ou seja: chega de tarifa! Queremos Tarifa Zero no transporte público ou aquilo que chamamos de Passe Livre para toda a população, garantindo a completa liberdade para que todos possam circular pela cidade. Junte-se a nós nessa luta contra os aumentos das tarifas e por um novo projeto de mobilidade, pois se mantivermos o atual modelo, continuaremos com ônibus caros e lotados, aumento de tarifa todo ano, poucas linhas, poucos horários e um serviço cada vez mais excludente e de pior qualidade.
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Debata esse assunto com seus amigos e colegas, participe das discussões e das manifestações em sua cidade!


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CONTATOS NAS CIDADES
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São Paulo: mpl-sp@riseup.net

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AGENDA DE MOBILIZAÇÃO NAS CIDADES
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Curitiba: 19 de Fevereiro - ato na Praça Santos de Andrade às 10 horas.
Florianópolis: 04, 05, 10, 11 e 12 de Março - manifestações em frente ao TICEN às 17 horas.
Guarulhos: 1º de março a 1º de Abril - Plebiscito Popular Sobre o Transporte / 1º de abril - Manifestação na Câmara de Guarulhos às 18 horas.São Paulo: 28 de fevereiro - Para socializar batidas, batuques, sons e estéticas, a Bateria do MPL-SP convida a todas e todos para sua Oficina de Bateria, às 15 horas no Largo do Arouche (procure pelo batuque!).

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Fonte: http://passapalavra.info/?p=105825 de Fevereiro de 2009

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terça-feira, 3 de março de 2009

DIREITO DE RESPOSTA A CCOB

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A CCOB POSTOU ALGUNS COMENTÁRIOS A CARTA ABERTA DO CESAC QUE POSTAMOS NESSE BLOG. ENTENDEMOS SER NOSSA OBRIGAÇÃO PUBLICÁ-LA NA PÁGINA PRINCIPAL PARA DAR AOS NOSSOS LEITORES A MESMA OPORTUNIDADE QUE TIVEMOS DE SOLIDIFICAR NOSSA OPINIÃO. QUAL É NOSSA OPINIÃO? ESSA É NOSSA OPINIÃO. LEIA E PESQUISE SOBRE O ASSUNTO PARA FORMAR A SUA. AFINAL ESSE É UM ASSUNTO IMPORTANTE. TEMOS TODOS DE REFLETIR SOBRE ELE.
FSBLHPC
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CCOB disse...

Ofício CCOB/09/09
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Ao
Ilmo Dr. Arão da Providência
Diretor do CESAC
Prezado Senhor,
Fomos comunicados pelo Tunico, indígena da etnia Guarani, morador da Aldeia Guarani de Camboinhas, que quando haviam relações mais amistosas entre os Guarani e a ONG, presidida por Vossa Senhoria e o Senhor José Guajajara, ambos representantes do CESAC (“O CESAC – Centro de Etno-conhecimento Sócio-cultural e Ambiental CAUIERÉ, entidade associativa sem fins lucrativos de defesa de direitos e interesses indígenas registrada no RCPJ/RJ sob o nº 490.156, CNPJ sob o nº 73.295.875/0001-31 e no Ministério da Justiça ped. OSCIP de nº 08071.008534/2007-37, desde 1993, com sede na Rua Maracá, nº 7 em Tomás Coelho, Rio de Janeiro”), deixou seus pertences na sede da ONG citada. Lá está o computador, no qual ele tem seus arquivos, necessários aos seus estudos, de Antropologia, do qual tem extremo orgulho. Trata-se de uma pessoa extremamente dedicada aos seus estudos, e que no momento por conta de um Diretor Deste ONG, ESTÁ IMPEDIDO de ter acesso aos seus pertences, e às suas poucas roupas, e seus livros acadêmicos, fato que já trouxe sérios danos a sua vida acadêmica.
Que além de ser impedido de ter acesso aos seus pertences (Apropriação Indébita- Crime), teve sua vida ameaçada por um diretor de sua ONG (CESAC).
Que além de ameaçar a vida do indígena Tunico. Afirmou que “A Aldeia de Camboinhas irá ter uma VISITA SURPRESA”.
O Prezado advogado deve ter toda a compreensão dos fatos que narramos acima, deve também saber que qualquer “ACIDENTE”, que ocorra na Aldeia, a pena será imputada a sua ONG-CESAC e seus responsáveis.
Entendemos que por conta de divergências, quanto ao caráter da ocupação de Camboinhas, divergências entre o seu projeto, e o dos Guarani, esses fatos lamentáveis não poderiam estar ocorrendo.
O Tunico está amedrontado, bem como todos os Guarani da Aldeia Camboinhas.
O Prezado advogado, que afirma representar os indígenas através de sua ONG-CESAC, deve ter noção do esforço feito por Tunico, para chegar a Universidade, deve entender que os poucos pertences, deixados na sede de sua ONG, por Tunico Guarani, são os únicos pertences materiais de nosso querido irmão.
Esclarecemos também que já fizemos consulta a nosso advogado que está preparando as medidas cabíveis contra quem de direito.
Que a Comissão Estatutária de nosso Conselho (Comissão Indígena de Niterói-CIN), que tem como Presidente o Cacique Darci Tupã, tem o total apoio da comunidade Guarani de Camboinhas, e os representa, de direito e de fato, estará sendo reunida ainda esta semana, visando dar os encaminhamentos necessários em mais esta emergência, causada novamente por divergências entre os projetos dos Guarani, e os de sua ONG-CESAC.
Solicitamos que entre em contato com a Aldeia, com Dona Lídia, ou com o Cacique Darci. Primeiramente visando esclarecer que tipo de visita a Aldeia irá receber, para que sejam tranqüilizados, como também que esteja pessoalmente levando os poucos pertences do indígena Tunico, visto que o mesmo está receoso de represálias por parte do CESAC, à Aldeia Camboinhas, onde está residindo com sua família.Atenciosamente,José de AzevedoPresidente do CCOB

2 de Março de 2009 16:58

CCOB disse...

O Conselho Comunitário da Orla da Baia de Niterói - CCOB tem atuado como apoiador da Aldeia Guarani em Camboinhas, Cidade de Niterói, Estado do rio de Janeiro, temos a declarar:
Não participamos da retirada dos Guarani, da Aldeia de Paraty-Mirim;
não participamos inicialmente de seu assentamento em Camboinhas.
Participamos de todos os atos em defesa dos Sambaquis e pela ampliação do Parque Estadual da Serra da Tiririca.
Somos autores de uma ação, que correu junto a do Ministério Público, contrária a decisão da Prefeitura de Niterói de construir 220 prédios no local, além de destruir toda a orla da Lagoa de Itaipu, com a execução de um projeto denominado "Bosque Lagunar de Itaipú".
Que em 2002, na discussão do PUR da Região Oceânica, a SOPRECAM não participou da discussão da Lei e nunca se opôs a construção dos prédios no local, ao menos nas Audiências Públicas realizadas para a discussão da Lei.
Que durante os atos para a preservação dos Sambaquis, esteve presente o Senhor Ministro Carlos Minc, junto com indígenas de diversas etnias, que pediam a preservação do local e a ampliação do Parque Estadual da Serra da Tiririca.
Que nos atos realizados, estiveram sempre presentes, o Senhor George, proprietário da área onde hoje estão assentados os Guarani. Esteve presente também aos atos, o Advogado Arão da Providência, que buscava na ocasião apoio a um projeto de sua autoria, para a construção de um centro cultural, onde estariam expostos documentos e objetos, oriundos de diversas etnias indígenas. Que este centro cultural poderia ser financiado por verbas de diversas entidades, dentre elas foi citada a Petrobras, que segundo ele, dispunha de verbas objetivando o financiamento de projetos de preservação ambiental.Em seu projeto, não existia a presença do indígena assentado no local e nunca soubemos que a área seria doada pelo antigo proprietário, ao Advogado Arão da Providência.
Fomos surpreendidos pela presença de indígenas assentados em Camboinhas.
No decorrer do tempo, o CCOB passou a relacionar-se, com a família Guarani, assentada no local. Passamos a defender sua permanência, tendo em vista acharmos mais que justa sua reivindicação, até porque a própria ampliação do Parque Estadual da Serra da Tiririca teve um forte apelo indígena.Preocupáva-nos também a questão de que havia sido reformada a sentença, e que também os construtores, junto com a Prefeitura de Niterói, entraram com recurso contra o decreto de ampliação do PEST.
A presença dos Guarani, aconteceu antes da ampliação do Parque, por isto defendemos que deveria acontecer com eles, a discussão do Termo de Manejo do Parque (visto estarem anteriormente no local, da sua criação, temos documentos que comprovam).
Achávamos que a presença da Aldeia, seria uma conquista para nossa cidade.
Infelizmente o Senhor Ministro Carlos Minc, após dançar por anos com os indígenas, que reivindicavam a preservação dos sambaquis, virou as costas ao aldeamento, cobrando do IEF e do Ministério Público a retirada da aldeia do local.
Sabemos que históricamente não poderíamos contar com o poder público, para a preservação do local. Basta que vejam que foi construído um prédio, dentro do Sambaqui-Camboinhas e sua construção não foi questionada pela SOPRECAM ou pelo Ministerio Público federal, nem mesmo por Carlos Minc.
A presença Guarani seria uma garantia da preservação da área, bem como um ganho cultural de valor inestimável para nossa cidade. Em torno da Aldeia, foi se formando um grupo de apoiadores. Pessoas que se apaixonaram pela maneira de viver guarani, pela beleza de sua cultura e pelo acolhimento que recebemos por todos os membros da Aldeia.
Nós do CCOB não tínhamos tradição no envolvimento das questões indígenas, mas não foi difícil nos apaixonar por aquele povo.Entretanto no movimento de apoio a Aldeia, apareceram grupos diferenciados. Um grupo que reconheceu o Aldeamento, como uma família Guarani e assim passou a denfendê-los e outro grupo sob a orientação do Adovgado Arão da Providência e sua ONG denominada CESAC.
Nós de CCOB estamos no primeiro grupo, que reconhece, junto com a FUNAI, que trata-se de um aldeamento Guaraní.
O CESAC entende o espaço, como multiétnico e então está iniciado o conflito.
A FUNAI passa a defender o aldeamento, buscando fundamentos para esta defesa e nos afirma que não há como defender uma aldeia Guajajara no local, tendo em vista questões culturais deste povo (área de ocupação tradicional).
Houve com isto, um extreitamento nas relações de nosso grupo, com a FUNAI e um distanciamento do outro grupo, visto defendermos a questão sob um diferente enfoque.
A imposição da construção da Aldeia Guajajara no local, por parte do advogado Arão da providência, nos preocupava. Até porque esta nova Aldeia poderia acirrar ainda mais os ânimos, contra a presença dos Guarani na área. Por outro lado havia a ação da SOPRECAM, onde o Senhor Juiz Federal foi claro quando mandou que se fizesse um cadastramento dos assentados, e que ninguém poderia mais adentrar no local. Que foi criada uma Câmara de Conciliação em Brasília que trataria do caso.
O grupo ligado ao Advogado Arão (CESAC), começou a entrar em atrito com o nosso.Haviam diferenças insuperáveis entre os grupos, até porque o grupo do qual faz parte a ONG CESAC, já tinha conhecimento prévio de questões que desconhecíamos, dentre eles uma questão importante, de que os terrenos são de Propriedade da ONG presidida pelo Advogado Arão, ficamos sabendo disto ontem (19/02/2009). Desta forma entendemos que existem questões que nos foram escondidas, ou omitidas.
Então não podemos participar de um projeto, no qual nos omitem fatos essenciais, como a titularidade das terras e quais seriam os reais objetivos deste grupo.
O grupo que participamos vive o dia a dia da Aldeia, já tendo sido inclusive batizado pelo Pajé, onde todos temos nossos nomes indígenas. Por esta razão estamos mais próximos dos Guarani e suas lideranças, que são por nós reconhecidas e respeitadas. Ao contrário do outro grupo, que não respeita a cultura dos Guarani, ou suas necessidades, impondo suas vontades sem qualquer discussão. Acha este grupo que nada necessita ser conversado com a família Guarani e sempre os vem pegando de surpresa, com suas invenções, seja considerando a Aldeia, um espaço democrático de todos os trabalhadores em luta, onde acham que tem direito ao espaço, por exemplo, integrantes do MST. Ora nada temos contra o MST, mas a presença de dezenas de membros daquela organização, acuou nossos amigos Guarani em suas ocas. Foi também imposição a construção da Aldeia Guajajara, que nada tem haver com os Guarani, que nunca poderiam estar no mesmo espaço como moradores, mas recebidos como visitantes da grande família Guarani. Afinal a família Guarani resistiu aos preconceitos e até a um estranho e criminoso incendio, e ali está com toda sua família e cultura diferenciada.Com a imposição do CESAC, iniciaram os conflitos, que não foram com o CCOB, mas entre as etnias, visto que os Guajajara, afirmaram aos Guarani, que não reconheciam suas lideranças.Observamos desde então uma profunda tristeza em todos nossos amigos Guarani, que pensavam ter encontrado um lar, mas que na realidade, na concepção de seu mentor, estariam participando de uma experiência multiétnica.
Ora os Guarani são inteligentes e perceberam claramente que aquele que os incomodava, era o Advogado Arão, com seus projetos que até o momento não conseguimos entender a fundo.
A pedido dos Guarani, o CCOB e todo o grupo de apoiadores da Aldeia guarani de Camboinhas, passou a difundir os pensamentos das lideranças Guarani. Objetivamente buscamos trazer o conflito para nós, livrando nossos amigos daquilo que não poderiam resolver, preocupados que estávamos com um iminente conflito, entre as etnias.Através da divulgação do procedimento do Advogado Arão e do CESAC, tanto a própria OAB/RIO, do qual faz parte, bem como ao Ministério Público, conseguimos que este advogado suspendesse a verdadeira tortura, imposta aos Guarani que estavam sendo obrigados a uma participação, em um projeto sem qualquer base de estudos ("multiétinico") .Conseguimos junto a FUNAI, o financiamento do retorno dos Guajajara às suas moradias tradicionais, no Maranhão.
O Advogado Arão e sua ONG, foram expulsos da Aldeia, por todos os índios Guarani.Temos muitos sentimentos com respeito aos Guajajaras, visto que em nosso entendimento foram massa de manobra, nas mãos do Advogado Arão.
Os Guarani em nosso entendimento também seriam tratados como massa de manobra, mas como demonstraram sua independência e também contaram com dezenas de apoiadores, teriam se tornado um impecilho ao projeto do CESAC.
Mas com o recuo do advogado em questão e a retirada dos Guajajara e do MST e etc..., nossos amigos Guarani terão finalmente a tranquilidade que necessitam para definir os rumos de suas vidas.
Po isto pedimos um tempo a Câmara de Conciliação de Brasília e todos os seus membros, no sentido de que possamos, junto com as lideranças Guarani, buscar encaminhamentos para a solução definitiva da questão.Alternativas já aparecem, sendo a mais concreta, nos foi apresentada pelo Senhor Prefeito de Maricá, com o qual estamos em conversação.Entretanto teremos que contar com apoio do Governo e suas entidades, isto é fundamental para o bem estar da comunidade Guarani (principalmente), bem como os aparentes incomodos causados pela sua peramnência em Camboinhas. Hoje a única alida que temos é a FUNAI, as outras entidades estão do outro lado da trincheira (inimigas). Temos que todos pular este fôsso, se quisermos construir de fato alternativas.
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A DIRETORIA DO CCOB

2 de Março de 2009 17:05
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