domingo, 23 de dezembro de 2007

CORREDOR VIÁRIO

Marielson e Dejair, Tesoureiro e Presidente do Morro do Céu usando nossa camisa. Jorge Luiz, Diretor da Fanit, no meio de camisa vermelha.

Apesar da opinião pública estar dividida sobre o corredor viário da Alameda no Fonseca, importantes membros das lideranças comunitárias de Niterói já marcam sua posição. Estivemos no relóigio em frente ao Horto no mesmo bairro, símbolo e referência para os que acreditam que a obra não será mais um problema para o trânsito de Niterói e conversamos com algumas dessas lideranças.

Conversa com Dejair, Presidente da Associação de moradores do Morro do Céu.

COMUNIDADE: O que será o Corredor Viário construído aqui?

DEJAIR: Eles vão dividir a pista, vão organizar. Os ônibus passarão por suas pistas enquanto os carros terão as suas. O sistema de ponto de ônibus também mudará. Vai ser igual a algumas cidades do sul do país. Esses sistemas deram certo lá. O transito da Alameda está caótico.

Comunidade: E de que forma isso será positivo para a comunidade que você representa?

DEJAIR: O Morro do Céu apóia a idéia porque vai desafogar a Alameda favorecendo não só a nossa comunidade que precisa de se deslocar para o trabalho e outros compromissos utilizando o transporte coletivo que muitas vezes proporciona atrasos e outros prejuízos pessoais, mas irá favorecer a todas as comunidades de Niterói e São Gonçalo.

Conversa com Jorge Luiz Rodrigues, Diretor da Fanit

Comunidade: Oque a Fanit acha do projeto?

JORGE LUIZ: Estamos torcendo para que dê tudo certo. Do jeito que está é que não pode ficar. Além das melhorias no trânsito ainda vai haver mais empregos. Serão geradas 210 novas vagas de emprego. Ali em frente do Marajoara é que eu acho que vai complicar. Eles vão ter que estudar direitinho aquele problema, se não... não vai dar certo.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A COMUNIDADE VEGETARIANA MANDA SEU RECADO:

O Núcleo de Alimentação e Saúde Germinal convida todos os amigos e futuros amigos para mais uma atividade no Espaço Ay Carmela, no dia 23 de dezembro, domingo.

Trata-se do VIII Almoço Vegetariano Dançante, no qual pretendemos desta vez, prestar uma homenagem ao pensador austríaco Ivan Ilich.

Com um pensamento político aguçado, Ilich discutiu como inúmeras formas de exclusão social, vários instrumentos de dominação e alienação política encontram-se praticamente intocáveis dentro da sociedade por desfrutarem de uma falsa idoneidade. Dentre eles e principalmente a escola e a alta tecnologia.

Dentre as suas principais obras encontram-se: A Sociedade desescolarizada, Ferramentas para a convivialidade e Energia e equidade.

O cardápio não será baseado numa culinária regional, inspirado por Ivan Ilich preferimos deixar a escolho dos pratos livre, suscetível aos nossos humores e desfrutando, por exemplo, do desafio de fazer ficar junto aquilo que o senso comum muitas vezes diz para ficar separado, ou vice versa!

A proposta é a mesma: Um encontro e não um serviço, ou seja, convidamos vocês para construir o almoço conosco, atentos aos desafios que surgem dentro de uma proposta social que leva em consideração a ética, o apoio mútuo, a auto-gestão e a ação direta.

Nossa agenda também será praticamente a mesma, como pode ser observado abaixo:

12:00
Exibição de um documentário pelo coletivo pró-universidade popular
13:00
Apresentação dos alimentos e bom apetite!!!
15:00/16:00
Tempo para a lavagem coletiva dos pratos através da técnica das três bacias e organização da compostagem para os resíduos alimentares.
16:00
Roda de convivência para realizarmos um balanço coletivo do almoço, apresentação da proposta do Germinal e de outros grupos presentes (previamente inscritos para falar).
17:00
Encerramento

Os convido também a contribuir com R$ 5,00, que servirá para cobrir os custos do almoço, e também para gerar infra-estrutura para os próximos eventos!

O telefone para CONTATO é 9117 6993 ou 25207101.
O endereço é: Centro de Cultura Social - - Rua Torres Homem, número 790, Vila Isabel (próximo à praça Barão de Drummond e ao último ponto da 28 de Setembro)!!!

Sejam bem vindos!

ATERRO SANITÁRIO X LIXÃO

Na matéria sobre o Morro do Céu foi falado sobre o aterro sanitário existente no lugar que em muitos momentos foi visto como lixão. Mas você sabe qual a diferença entre aterro sanitário e lixão?
Retiramos a resposta do site saúde na Internet. http://www.saudenainternet.com.br/

"Segundo a Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (CETESB), aterro sanitário é o processo de disposição final de resíduos sólidos, principalmente do lixo domiciliar, baseado em critérios de engenharia e normas operacionais específicas. Estas normas e critérios permitem a confinação segura do lixo, em termos de controle da poluição ambiental e proteção ao meio ambiente.Ao contrário do aterro sanitário, os lixões não atendem nenhuma norma de controle. O lixo é disposto de qualquer maneira e sem nenhum tratamento, o que acaba causando inúmeros problemas ambientais. O lixo a céu aberto atrai ratos que têm a sua capacidade reprodutiva aumentada devido a disponibilidade abundante de alimentos. Esses animais são transmissores de inúmeras doenças, tais como raiva, meningite, leptospirose e peste bubônica. Outro sério problema causado pelos lixões é a contaminação do solo e do lençol freático, caso exista um no local, pela ação do chorume, líquido de cor negra característico de matéria orgânica em decomposição. Além disto, estes lugares dão acesso para as pessoas carentes que acabam contraindo várias doenças. Com total omissão social e desrespeito ao ser humano, essas pessoas buscam nos lixões um meio de sobrevivência, ou alimentando-se, ou vendendo entulhos.Se na sua cidade existe um lixão exija do governo providências imediatas para a solução do problema. Os lixões ferem as normas de Saúde Pública e poluem o meio ambiente. Lembre-se que nós contribuímos com impostos e que é nosso direito ter a nossa saúde assegurada!"
Como vimos o que existe no Morro do Céu é algo que fica entre os dois (pendendo mais para o lixão, embora seja coberto por saibro, compactado... e tudo mais que você acompanhou em nossa matéria) por isso usamos ambas as denominações.
Por falar nisso você ja respondeu nossa enquete? Afinal por que o lixo ainda recebe um tratamento tão ineficiente como vem recebendo?

CONTATOS

Sempre estabelecemos interessantes contatos via Internet, mas gostaríamos de divulgar o trabalho desse companheiro que está fazendo sua parte em recife e que fez uma visita ontem a nosso pro file do orkut. Reproduzimos abaixo sua mensagem, que contem o endereço de seu blog e da sua comunidade. Visite, Leia, estude, pense. Somente deixando a apatia de lado conseguiremos construir um mundo melhor. Parabéns, Azul de Barros e força sempre.

Azul de Barros:

Oi!! Tudo bem.. dei uma olhada no Blog! Achei super legal o trabalho de vcs!! Sou Azul de Barros e tb participo de um movimento! O Coletivo Regraf aqui de RecifeDa uma olhada nas propostas:

http://www.regraf.blogspot.com/http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=16765880

abração!!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007


Entrevista com Edith Thompson Homem de Mello

POR: FABIO DA SILVA BARBOSA

LUIZ HENRIQUE PEIXOTO CALDAS

Comunidade: Como está atualmente o seu trabalho?


Edith: Depois da reforma nossa nova casa ficou ótima. Estamos atendendo a 65 meninos e meninas e acredito que até dezembro o número chegará a 80. Já nos programamos para atendê-los durante as férias. Aqui eles se alimentam, tomam banho, escovam os dentes e tem reforço escolar. Recebem tudo que uma criança precisa. Ah, o dentista volta e meia vem aqui fazer visitas.


Comunidade: E as famílias? Recebem algum tipo de ajuda?


Edith: Claro. Ajudamos em tudo que podemos. Já ajudamos até em enterro.


Comunidade: Como vocês trabalham com as doações?


Edith: Repassamos as doações as famílias mais necessitadas. Tem algumas pessoas, que chamo de bons amigos, fazendo doações fixas. Já recebemos até eletrodomésticos. Além deles ainda tem os que doam através do serviço de telemarket que organizamos, onde alguns voluntários ligam e pedem alguma contribuição para o nosso trabalho.


Comunidade: E a horta?


Edith: Pois é, resolvi mostrar as crianças como plantar. Elas mesmas cuidam da horta. No momento temos mostarda, alface, couve, tomate, banana, graviola e acerola.


Comunidade: E o que é mais difícil no trato com as crianças?


Edith: Manter o limite. Mesmo me respeitando elas sabem que aqui não vão apanhar. Então querem aproveitar para fazer de tudo. Aí às vezes complica. Mas eu sei como contornar isso e mostrar a elas a importância desse limite. Afinal é o início da cidadania.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Resultado da enquete

QUAL A PRINCIPAL CAUSA DA DESIGUALDADE SOCIAL?

A corrupção cada vez mais frequente.
3 votos - 42%

Ela é necessária para o funcionamento do sistema em que vivemos, então o mesmo cuida para que ela sempre exista.
2 votos - 28%

As diferenças naturais entre cada ser humano determina sua capacidade de subir na escala social.
0 votos - 0%

A indiferença dos que fazem parte da elite por acreditar que não tem nada com isso.
1 voto - 14%

O comodismo das massas.
1 voto - 14%
Edith e os Girassóis

TEXTO E FOTOS: FABIO DA SILVA BARBOSA

LUIZ HENRIQUE CALDAS PEIXOTO

DONA EDITH E AS CRIANÇAS NO SEU TRABALHO ATUAL

Edith Thompson Homem de Mello sem duvida é uma daquelas pessoas que tem coisas para contar. Foi a primeira presidente da Federação das Associações de moradores de Niterói – Bairros e Favelas e virou o principal personagem do livro chamado “O Silencio de Girassóis” de Bruno Cattoni, lançado esse ano.
Nascida no Espírito Santo ficou viúva há 32 anos. Já com os filhos crescidos veio para Niterói, morar no Viçoso Jardim. Não sabendo da existência do aterro sanitário que havia no lugar naquela época, se mudou para uma bela casa da localidade. Depois ao fazer a descoberta ficou descontente, até ter a visão que iria mudar sua vida. Crianças disputando um pedaço de carne com urubus. Todas as viagens que tinha feito na época em que trabalhou com turismo, nunca lhe proporcionaram isso.
Ela se juntou aos moradores do Viçoso que eram favoráveis a retirada do lixão, começando um trabalho de conscientização da comunidade. Se identificou com a luta. “Fazíamos panfletagens e reuniões o tempo todo e ninguém se cansava. O que nos dava força era ver aquilo. Aquelas mulheres magras garimpando comida.” A campanha ganhou força e marcaram hora para a entrada do ultimo caminhão de lixo no lugar.
A questão ecológica já começava a ganhar força e se falou em uma usina de tratamento ultra moderna que seria instalada em São Gonçalo. Mas quando ela percebeu, haviam comprado um terreno no Morro do Céu e trazido o lixão para lá. Houve verdadeiras batalhas impedindo a simples transferência do problema de endereço. Por fim foram vencidos. Alguns moradores permitiram a entrada do lixo em troca de melhorias no lugar.
Algum tempo depois do Lixão acomodado em sua nova “casa” Edith foi convidada pelo engenheiro, ex-vice-prefeito de Niterói, fundador e ex-presidente da CLIN, ex-secretário municipal e ex-vereador Luiz Eduardo Travassos do Carmo a ser mãe crecheira no Morro do Céu, pois havia muitas crianças em situação precária no lugar e ela propôs

A HORTA QUE DONA

EDITH USA DE FORMA

TERAPEUTICA COM AS CRIANÇAS

a construção de uma creche. Após muitas visitas ao aterro Travassos montou a creche. Arranjaram uma casa com um preço simbólico e iniciaram a reforma.
O passo seguinte foi convencer aos pais a deixarem seus filhos freqüentar a creche. Muitos agiram com desconfiança. A primeira mãe que aderiu ao projeto tinha 14 anos. O neném, com menos de 1 ano não tinha pestanas, pois as moscas já tinham comido. O cantinho da boca também estava roído, pois elas comiam os resíduos de leite que juntavam ali. O primeiro berçário foi feito inspirado nessa criança.
Depois começaram a chegar às outras crianças. Alguns bebês se apresentavam vestindo uma perna de calça jeans como fralda. Logo eram 70 crianças. A casa ficou pequena e tiveram de se mudar para uma segunda creche. Nesta o berçário ficou enorme e começaram a trabalhar também como lar alternativo, onde as crianças passavam todo o dia e tinham todos os cuidados que os pais não podiam dar. Era o único trabalho social desenvolvido para os catadores na época. O projeto já se chamava “Lar Alternativo e Creche Girassóis”. Como era posse e não se pagava nada, foram despejados e a casa demolida.
Nisso chegou uma verba de Brasília de R$ 200.000,00 e se iniciou o programa “Criança na Creche” do ex-prefeito João Sampaio. Fizeram parceria com a Secretaria de Educação que mantinha 35 funcionários e dava merenda. Eram atendidas 217 crianças no novo prédio. Edith muito satisfeita com a situação teve a surpresa da municipalização em janeiro de 2007. Mesmo sendo peça fundamental na construção de tudo aquilo, sabia que seria bom para as crianças e aceitou o pedido para se retirar sem criar maiores problemas, deixando sua creche para o município que mudou seu nome para Unidade Municipal de Educação Infantil (UMEI).
Pensou em criar uma casa para idosos, mas acabou por continuar o trabalho com crianças. Hoje seu projeto de vida se dividiu, atendendo pelos nomes de “Associação Filantrópica Bem Me Quer” e “Lar Alternativo Os Girassóis”, que funcionam na mesma casa. Um serviço de telemarket ajuda a receberem doações, com as quais mantém o trabalho, pagam o aluguel e funcionários. Não recebem nenhum tipo de verba do estado.

NA HORA DO ALMOÇO AS CRIANÇAS COMEM OS LEGUMES E VERDURAS QUE AJUDARAM A CULTIVAR