& Luiz Henrique Peixoto Caldas
(Anexo da matéria postada ontem, neste blog, sobre a Viradouro)

Paulo: Não sei se vou voltar a concorrer à presidência. Isso aí é o pessoal que já está me elegendo antes do tempo. Quanto a minha participação na luta social... Isso é algo que sempre gostei. Trabalhei em um setor da Prefeitura de Niterói que considero o mais importante, que é o de movimentos comunitários. Ainda participo desse movimento. Sou o Segundo Secretário da Federação das Associações de Moradores de Niterói (FANIT) e faço parte da Federação das Associações de Moradores do Estado do Rio de Janeiro (FANERJ). Atuo também no Conselho de saúde de Niterói e do CONTROCOPERJ que cuida do Complexo Petroquímico de Itaboraí. Procuro participar de tudo que está acontecendo. Me dou bem com todas as lideranças comunitárias da cidade e posso dizer que conheço noventa e nove por cento das comunidades. O que me ajudou muito nesse conhecimento foi ter trabalhado na Defesa Civil de Integração Comunitária. Nessa época tinha que ir a vários lugares conversar com suas lideranças a fim de relatar seus problemas.
COMUNIDADE: E isso facilitou seu trabalho dentro da Viradouro?
Paulo: Me possibilitou ter mais conhecimento de como agir. As vezes devido a certas questões burocráticas que infelizmente existem, não conseguimos fazer certas coisas. A maioria das obras são feitas através de mutirões, que embora seja um processo um tanto desgastante, porque muitas vezes o cara chega cansado do trabalho e tem uma obra para encarar pela frente, tem o seu lado positivo. È uma forma de agregar o jovem na luta por melhorias e fazer com que valorize o trabalho executado.
COMUNIDADE: Você falou em agregar o jovem na luta. A que se deve essa apatia de grande parte da juventude atual?
Paulo: O jovem hoje em dia está muito apático. Você muitas vezes vê um grupo de jovens na esquina a noite e pensa logo “Lá está um bando de preguiçosos.”, mas não é isso. O que acontece é a falta de perspectiva. Às vezes eles nem estão fazendo nada de errado. Estão só rindo, caçoando um do outro, só que poderiam estar utilizando melhor o seu tempo. Mas isso cabe a nós, os mais velhos, ensinar. Muitos adultos não estão querendo saber de nada também. Não estão fazendo a parte que lhes cabe. A pessoa tem que parar para conversar com eles. Tem de ensinar, passar sua experiência. Se não, como vão saber? É nossa obrigação ajudar. Esses jovens já são recriminados em muitos lugares. Se entrar em um estabelecimento, o cara já fica logo de olho pensando que vão roubar. Vocês sabem como é isso. O ser humano está com uma cabeça muito esquisita. Tem coisas que não dá para entender. Estão faltando cursos profissionalizantes dentro das comunidades. Está faltando aproximação das pessoas. Em Caxias, por exemplo, tem os dutos que são uma mina de ouro. Tem aquela pedra bonita ali para enfeitar. Mas o que você vê em volta? Miséria Pura. É muita discrepância. Mas como vou arrumar um emprego para o cara na Petrobras se ele não sabe fazer nada que a empresa precisa? Essa é a importância desses cursos. Criar oportunidades, acabando com a falta de perspectiva.
COMUNIDADE: O que você acha de eventos como o dos jovens do Morro da Providencia?
Paulo: Pois é... Isso é um exemplo das coisas que não dão para entender. Um cara conseguiu prejudicar toda uma comunidade. Ele não podia ter feito isso. Ainda mais com a farda do Exército Brasileiro. Isso mina a confiança. Quando as pessoas vêem que o poder público está trabalhando corretamente elas apóiam.
COMUNIDADE: Como atuante no movimento comunitário, você faria uma avaliação positiva da união entre as lideranças comunitárias?
COMUNIDADE: E como a pessoa faz para participar da Federação? A FANIT tem algum tipo de cadastro?
